Demanda interna deve ser atendida por importações, diz BC

Estatísticas das vendas do comércio e da produção da indústria sugerem que o dinamismo registrado pela demanda interna não vem sendo acompanhado pela indústria nacional

Célia Froufe, Fernando Nakagawa e Eduardo Cucolo, da Agência Estado ,

28 de junho de 2012 | 12h04

BRASÍLIA - A demanda interna apresenta um ritmo de crescimento maior do que o da indústria e o do comércio, na avaliação do Banco Central, expressa em um dos boxes que acompanham o Relatório Trimestral de Inflação. "As estatísticas relacionadas às vendas do comércio e à produção da indústria sugerem que o dinamismo registrado pela demanda interna no período recente não vem sendo acompanhado pelo desempenho do setor industrial", escreveram os diretores do BC. Com isso, a expectativa da autoridade monetária é a de que o aumento da demanda interna deve ser atendida "ao menos parcialmente" pela importação de bens.

O BC ressalta que o consumo aparente de bens industriais (produção industrial doméstica e importações, menos as exportações do setor) cresceu 16,7% de 2008 a 2011, ante expansão de 15,8% do Produto Interno Bruto (PIB). Nesse período, conforme o relatório, a produção subiu 5,9%, as importações avançaram 45,9%, mas as exportações de bens industriais caíram 18,8%. Dessa forma, exerceram contribuições de 6,1pp, 6,9pp e 3,7pp para a expansão acumulada do consumo desses bens.

O Banco Central enfatiza que a indústria brasileira não se apropriou do crescimento do consumo de bens do setor no ano passado, como vinha fazendo em 2008 e 2010. "Vale ressaltar, ainda, que a participação dos importados no atendimento da expansão anual do consumo de bens industriais passou de, aproximadamente, 40% em 2008 e 2010, para 100% em 2011."

Ao abrir os dados, o BC informa que o consumo de bens de capital cresceu 44,3% de 2008 a 2011, favorecido pelas medidas de incentivo ao investimento implementadas pelo governo nos últimos anos, pelo otimismo do empresariado, por melhores condições de crédito e pela apreciação do real. Além disso, mostra que cerca de metade da demanda adicional por bens de capital foi atendida por importações, que cresceram 87,5% de 2008 a 2011 e, assim, responderam por 21,4pp do aumento do consumo aparente de bens de capital ante contribuição de 17,7pp da produção doméstica.

No caso do consumo de bens duráveis, segmento que mais se beneficiou das melhores condições nos mercados de trabalho e de crédito, o crescimento foi de 21,8% de 2008 a 2011. "Entretanto, a produção interna desses bens aumentou 5% nesse período e respondeu por 5,1pp do aumento da demanda. Por conseguinte, o volume importado de bens duráveis cresceu 167,2% e contribuiu com aproximadamente dois terços do aumento total do consumo no quadriênio", consideraram os diretores.

Em relação à demanda por bens não duráveis, que é menos sensível ao crédito, o BC identificou uma menor taxa de crescimento entre os três segmentos, de 8,7% no período considerado. A produção interna se elevou 5% e respondeu por 5,3pp do aumento registrado de 2008 a 2011 ante a contribuição de 2,2pp de importações, que experimentaram expansão de 62,3%.

Para o BC, a demanda doméstica por bens industriais no Brasil experimentou "crescimento vigoroso" de 2008 a 2011, em média, de 3,9% ao ano. A decomposição do consumo aparente revelou que, no quadriênio analisado, parte significativa do aumento do consumo doméstico foi atendida por produtos importados, em especial nos segmentos de bens de capital e de consumo duráveis.

Deterioração do cenário

O Banco Central avaliou no Relatório Trimestral de Inflação que são ainda mais fortes sinais de deterioração do quadro internacional. "Foram reforçados os sinais de deterioração da atividade ou de recessão em algumas economias maduras, bem como de desaceleração em economias emergentes", cita o documento.

Em outro trecho, na página 74, o BC ressalta que "em linhas gerais, o cenário prospectivo contempla baixo crescimento da atividade global, por um período de tempo prolongado".

"Acumularam-se evidências apontando ritmo de crescimento modesto. Em linha com perspectivas de baixo crescimento global, os preços das commodities nos mercados internacionais tendem a apresentar dinâmica favorável sob o ponto de vista inflacionário."

 

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