Demanda maior por transporte aéreo alimenta alta dos preços

Mesmo pagando mais, nova classe média prefere viajar de avião a ficar às vezes dias dentro de um ônibus

RIO, O Estado de S.Paulo

30 de outubro de 2011 | 03h07

Os passageiros já sentem no bolso a alta dos preços das tarifas. O militar Marcos Rodrigues, de 36 anos, ficou frustrado ao consultar os preços dos bilhetes da Webjet no posto que a companhia abriu, há duas semanas, na Central do Brasil, maior estação ferroviária do Rio. Ele queria passagens para a mulher e dois filhos para Natal, em dezembro, mas se assustou com o preço: R$ 2,3 mil para toda a família.

"Todo ano vamos visitar a família de avião. No ano passado, pagamos R$ 1,4 mil a família toda. Os preços subiram muito este ano, mas ainda vou esperar uma promoção", disse o militar, que não cogita viajar de ônibus ou de carro para o Nordeste.

A mudança dos hábitos de consumo das classes populares alimenta a demanda do transporte aéreo, que favorece a alta de preços. "O bilhete de ônibus está R$ 286, mas não dá mais para ficar três dias numa estrada. Não compensa", afirmou Rodrigues.

A divulgadora científica Marina Ramalho, do Museu da Vida, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), tem três viagens marcadas até o fim do ano. Ela conta que pagou R$ 400 mais caro por uma passagem para a Europa em novembro, em relação a outro bilhete para o mesmo destino, em abril. "As duas viagens foram feitas na baixa temporada", lembrou.

Segundo a funcionária da Fiocruz, o orçamento de um workshop na Venezuela ficou prejudicado por conta do aumento das tarifas aéreas em um intervalo de apenas três dias. "Entre o tempo que os participantes demoraram a confirmar presença, gastamos muito mais com passagens, porque aumentou muito o preço depois de dois ou três dias. Ainda bem que compramos no início do mês, porque agora já estaria mais caro", contou Marina.

Passeios. Entre os grupos de agências de viagens, a expectativa é que os aumentos nas passagens não afetem os passeios já programados. O presidente da operadora de turismo CVC, Valter Patriani, disse que os pacotes para o fim do ano das agências de viagens do grupo não foram afetados pelo aumento das tarifas, porque as passagens foram contratadas com até dez meses de antecedência.

"Fechamos a nossa programação, em média, um ano antes. O preço é fechado em real, com base nos índices de inflação. Com isso, o máximo que um pacote da CVC pode estar mais caro este ano em relação ao ano passado é 5%, quando muito, que é o repasse da taxa de inflação. Mas o resto não tem repasse. Por isso estamos achando que vamos vender muito", afirmou. A meta do executivo é a venda de 1 milhão de pacotes até fevereiro, 20% a mais do que no verão passado. / D.A. e A.R.

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