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Demanda menor de consumidores já reduz alta de preços, diz IBGE

Entre os itens que já registraram aumentos menores e até queda nos preços estão passagens aéreas, alimentação fora de casa, motel, hotel, entre outros

Daniela Amorim, O Estado de S. Paulo

09 de março de 2016 | 12h49

RIO - O arrefecimento na demanda dos consumidores já começa a se refletir em altas mais modestas de preços na inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), apurado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Segundo Eulina Nunes dos Santos, coordenadora de Índices de Preços do IBGE, o movimento pode ser percebido pela primeira vez no IPCA de fevereiro. Por ter caráter inicial e ocorrer em meio a outras pressões altistas - como o câmbio e problemas climáticos -, ainda não é generalizado entre os itens pesquisados.

"Já há reflexos da demanda sobre os preços", confirmou Eulina. "(A demanda fraca) Já tem se mostrado através dos dados de comércio varejista, tem se mostrado na indústria e tem se mostrado inclusive no setor de serviços", lembrou ela.

Itens que já registraram aumentos menores ou até queda de preços por conta de alguma relação com a demanda mais fraca foram as passagens aéreas, alimentação fora de casa, motel, hotel, serviços médicos e dentários e até alguns alimentos, como as carnes.

"Nas carnes, a arroba favorável aos pecuaristas e a exportação estão facilitando a manutenção dos preços. Mas o mercado interno começa a reagir. As pessoas reduzem o consumo de carne, ainda mais nessa época próxima à Páscoa, e aumentam o de frango e carne suína", explicou Eulina.

Outro item que aumentou menos do que o esperado este ano por conta de cautela em relação à demanda foi a mensalidade escolar. O reajuste dos cursos regulares ficou em 7,43% em fevereiro, patamar semelhante ao verificado em anos anteriores no mês de fevereiro. Os aumentos praticados nessa época do ano nas mensalidades costumam pelo menos repor a inflação acumulada no ano anterior. Segundo Eulina, como o IPCA teve alta de 10,67% em 2015, esse reajuste ficou aquém da inflação e mostra uma cautela maior do setor educacional em repassar o aumento de custos.

"O que estamos vendo neste ano são até algumas reduções em relação ao ano anterior. Há muitas negociações de pais de alunos no sentido de reduzir o próprio reajuste, dadas as dificuldades em termos de desemprego e tudo mais", explicou Eulina.

Em fevereiro de 2015, os cursos regulares subiram 7,24%, contra uma inflação de 6,41% acumulada pelo IPCA no ano anterior. Em fevereiro de 2014, a alta nos cursos regulares foi de 7,64%, ante um IPCA acumulado de 5,91% em 2013.

"Tem muita gente saindo de escola particular para escola pública, muita gente saindo de cidades grandes para cidades menores, onde tem escolas com preços mais baixos. E há também muito professor de escola particular sendo demitido", acrescentou a coordenadora do IBGE.

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