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Demanda menor no comércio exterior preocupa a indústria

Uma pesquisa com 1.307 indústrias, realizada em abril pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), revelou preocupação das empresas com a redução da demanda no comércio exterior. Segundo o gerente de Unidade de Política Econômica da CNI, Flávio Castelo Branco, a sondagem confirmou a avaliação anterior da entidade de que "o efeito mais perverso da crise econômica no Brasil ocorrerá sobre as nossas exportações".

ISABEL SOBRAL, Agencia Estado

28 de maio de 2009 | 18h35

De acordo com a pesquisa, 54% das empresas industriais ouvidas usam matérias-primas ou insumos importados. A última sondagem feita pela CNI que tinha pergunta semelhante aos entrevistados ocorreu em 2005 e, naquele ano, o porcentual de empresas que responderam positivamente foi 39%. Na análise da CNI, a valorização do real ocorrida no período de 2005 a 2008 estimulou a substituição de matérias-primas domésticas por importadas.

A pesquisa ouviu empresas de pequeno, médio e grande portes e identificou que nem todas eram exportadoras, explicou Castelo Branco. Entre as empresas exportadoras, entretanto, 66% delas responderam que foram afetadas pela crise financeira internacional e tiveram que alterar suas estratégias de exportações. O porcentual de empresas afetadas pela crise aumenta de acordo com o porte: entre as grandes, 78% responderam que a crise afetou suas estratégias de vendas externas e entre as pequenas empresas, 57%. Por setores, os que tiveram mais empresas que responderam terem sido afetadas foram o de veículos automotores (com 92% de respostas positivas à pergunta), madeira (90%) e máquinas e equipamentos (86%).

Faturamento

A Sondagem Especial da CNI sobre comércio exterior revelou que 48% das empresas exportadoras ouvidas esperam uma redução da participação das exportações em seu faturamento este ano. A pesquisa revelou que 53% das indústrias consultadas enfrentam concorrência de produtos importados no mercado doméstico, e a maioria delas espera um aumento dessa concorrência ao longo de 2009. Essa expectativa, no entanto, destoa do ritmo das importações brasileiras que, nos primeiros quatro meses do ano, estão caindo, em relação ao ano anterior.

Para Castelo Branco, a perspectiva das indústrias está relacionada à concorrência direta dos importados com seu próprio produto, e isso não decorre necessariamente do ritmo das importações em geral. "Com o agravamento da crise mundial, houve um aumento de ofertas de produtos em todo o mundo e uma retração geral da demanda. Com isso, há expectativa do empresário de que haverá penetração maior de produtos estrangeiros no País", afirmou.

Câmbio

O economista da CNI disse que o atual patamar da taxa de câmbio, muito próximo a R$ 2,00, "é preocupante" do ponto de vista das exportações brasileiras. Castelo Branco defendeu a adoção de medidas para segurar a taxa de câmbio, afirmando que o Banco Central pode intensificar algumas ações que já têm tomado, sem que isso signifique controle do câmbio que tem regime flutuante no Brasil.

"Acho que devemos ficar atentos para não deixar cair ainda mais a taxa de câmbio e há medidas de natureza monetária e de compra de divisas para as reservas internacionais que podem ser utilizadas pelo Banco Central", comentou, acrescentando que a taxa de juros ainda está muito alta no Brasil em relação a de outros países.

O resultado da Sondagem Especial sobre comércio exterior divulgado hoje, que revela preocupação das empresas com a competição dos produtos importados e redução nas exportações brasileiras, segundo ele, indica dificuldades para retomada consistente da economia do País. "Com certeza, se houver menos contribuição das exportações, que são uma alavanca importante do crescimento, e ainda tivermos maior competição dos produtos importados, haverá dificuldades para a retomada da atividade", comentou.

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