Sergio Roberto Oliveira/Estadão
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Demanda por aço surpreende em julho e estoques diminuem na indústria

Presidente de instituto fala em retomada forte do mercado, com queda de 3,2% dos estoques no mês, principalmente nos setores de construção civil e eletrodomésticos

Wagner Gomes, O Estado de S.Paulo

28 de agosto de 2020 | 11h00

A retomada surpreendente da demanda por aço fez os estoques da indústria brasileira diminuírem em julho, mas a expectativa é que voltem ao normal nos próximos meses. O presidente do Instituto Nacional dos Distribuidores de Aço (Inda), Carlos Loureiro, acredita que em 60 ou, no máximo, 90 dias a situação já esteja normalizada. Em entrevista ao Estadão/Broadcast, ele diz que as usinas estão voltando rapidamente à produção. Na quarta-feira, 26, a Usiminas reativou o alto-forno 1 da Usina de Ipatinga, em Minas Gerais, que estava parado desde abril por causa da pandemia.

"Usinas pararam os alto-fornos esperando uma crise mais profunda. Mas o mercado teve uma retomada forte, principalmente em construção civil, eletrodomésticos e máquinas agrícolas. Achávamos logo no início da pandemia que haveria queda de 15% nas vendas, mas teremos aumento de um dígito, entre 3% e 5%. E isso ainda pode melhorar. A paralisação das atividades gerou sensação de falta de produto no mercado e, por isso, as usinas estão voltando, a exemplo da Usiminas em Ipatinga. Hoje, os estoques estão baixos em relação ao nível de consumo", afirma.

Em julho, os estoques fecharam com um volume de 828,2 mil toneladas, queda de 3,2% em relação a junho. Loureiro explica que essa quantidade de aço estocada equivale a 2,4 meses de venda e que o ideal é que fique em 3 meses no segmento de aços planos. Em aços longos, os estoques costumam ser menores, de 30 e poucos dias de venda. Segundo dados do Inda, as vendas de aços planos em julho subiram 18,4% quando comparadas a junho, atingindo o montante de 344 mil toneladas contra 290,5 mil no mês anterior.

Sobre o mesmo mês do ano passado, quando foram vendidas 288 mil toneladas, a alta chega a 19,4%. As compras do mês de julho registraram alta de 6,6% ante junho, com volume total de 316,7 mil toneladas. Frente a julho do ano passado, o avanço é de 14,5%. Para agosto, o Instituto Nacional dos Distribuidores de Aço prevê alta de 5% nas vendas do setor na comparação com o mês anterior. Uma vez confirmado o avanço, as vendas devem crescer para 361 mil toneladas, "um número bem alto para o mês de agosto", na avaliação de Loureiro. "O mercado veio firme e o setor se recupera rapidamente em uma curva em 'v' que aconteceu muito forte", diz.

Preços

Com a volta da demanda e ainda com um prêmio negativo de cerca de 10% em relação ao produto importado, Loureiro acredita que os preços devem voltar a subir em setembro. E diz ainda que há uma grande possibilidade de nova alta em outubro. Tudo vai depender do comportamento dos preços no mercado internacional. Ele explica que a disputa das usinas pelo mercado também influencia, mas "o mercado está justo demais e as empresas têm dificuldade de entrega".

"Mantidas as condições internacionais de preços e o dólar no mesmo patamar de agora, provavelmente teremos outro aumento em outubro. Teremos que ver como vai evoluir o câmbio e também os preços internacionais", comenta.

Pelo segundo mês consecutivo, de acordo com Loureiro, a China teve balanço negativo no comércio internacional de aço, importando mais do que exportou. "Isso faz com que mercado internacional se mantenha firme." No Brasil, as importações encerraram o mês de julho com queda de 27,7% em relação ao mês anterior, com volume total de 74,9 mil toneladas. Comparando-se com o mesmo mês do ano anterior (97,2 mil toneladas), as importações registraram queda de 22,9%.

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