Demanda por cimento leva Holcim a investir R$ 434 mi

O aquecimento do setor de construção civil acima do esperado este ano levou a Holcim Brasil a anunciar investimentos de R$ 434 milhões até 2011. Deste montante, R$ 300 milhões serão aplicados nas duas fábricas de cimento que a companhia possui em Minas Gerais, nos municípios de Pedro Leopoldo e Barroso. O objetivo dos aportes, segundo a empresa, é eliminar gargalos, uma vez que as fábricas vêm operando no limite da capacidade instalada.A Holcim é a quarta maior produtora de cimento no País, com um volume anual de 3,2 milhões de toneladas em 2006, além de ser uma das líderes em fornecimento de concreto e agregados. Com o investimento, a capacidade de produção de cimento será ampliada em 100 mil toneladas/ano e a de concreto em cerca de 100 mil metros cúbicos no mesmo período. A empresa mantém plantas também em Cantagalo (RJ), Vitória (ES) e Sorocaba (SP). O presidente da empresa, Carlos Bühler, revelou que um novo projeto, com aportes da ordem de R$ 1,5 bilhão encontra-se em estudo para ser implantado no Estado, porém ainda sem local definido. De acordo com ele, a expectativa é de o crescimento do mercado de cimento chegue a 12% este ano e atinja 10% em 2008, podendo superar este patamar se houver avanço nas obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), do governo federal. O anúncio dos investimentos da Holcim foi feito hoje por executivos da empresa ao governador de Minas, Aécio Neves (PSDB). A Holcim detém hoje 9% de participação no mercado nacional e é o principal produtor mineiro, com 25% de participação.Bühler revelou que as vendas da empresa vinham crescendo a um ritmo baixo nos últimos anos, da ordem de 1,6% ao ano, o que levou a matriz suíça a aportar R$ 400 milhões nos últimos dois anos, para garantir a manutenção das operações. No entanto, o aquecimento do setor de construção civil promoveu um aumento da demanda nos meses de junho e julho deste ano de 20% a 30% maior do que o mesmo período do ano passado. ?Este aumento provocou gargalos que a companhia não estava preparada para absorver?, diz ele. As fábricas, que vinham utilizando cerca de 60% da capacidade instalada, atualmente estão no limite, com uma ocupação de aproximadamente 90%.Hoje, o presidente da Holcim argumentou que os preços do cimento ainda não são suficientes para cobrir o aumento dos custos de produção, principalmente em energia, mas não adiantou possíveis reajustes. ?O Brasil é o único que traz prejuízos entre os 75 países em que a companhia mantém operações?, diz ele. Para sustentar a demanda e o crescimento dos custos, segundo Bühler, o preço do saco de 50 quilos teria que ser reajustado para garantir a sustentabilidade e o fluxo de caixa.Questionado sobre as denúncias a cartelização do setor, investigadas pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cadê), Bühler foi categórico ?Não participamos de nenhum cartel e temos uma política rígida que não nos permite ter contato com a concorrência?. O executivo enfatizou que a companhia está tranqüila quanto ao julgamento do conselho.

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