Demanda por crédito do BNDES deve aumentar nos próximos meses

Demanda por crédito do BNDES deve aumentar nos próximos meses

Superintendente também destacou que a instituição terá um cenário de maior concorrência com ou sem a aprovação da Taxa de Longo Prazo (TLP) pelo Congresso, em função da queda da Selic

Mariana Durão, O Estado de S.Paulo

11 Agosto 2017 | 20h30

O novo diretor de Planejamento do BNDES, Carlos da Costa, preferiu não fazer projeções sobre os desembolsos do banco de fomento em 2017, mas demonstrou otimismo sobre a retomada da demanda. Ele destacou que os indicadores de confiança do empresariado ficaram muito deprimidos nos últimos anos e, fatalmente, a demanda por crédito caiu.

"Não podemos ter uma postura passiva. Temos que fazer nossa parte para encontrar alternativas que ajudem no retorno do desenvolvimento. Acreditamos na retomada da demanda por essas linhas do BNDES nos próximos meses", sinalizou Costa.

No ano passado os desembolsos somaram R$ 88,3 bilhões, menor montante desde 2007. A última estimativa do superintendente de Planejamento e Pesquisa do banco, Fabio Giambiagi, era que em 2017 os desembolsos do banco deveriam cair R$ 10 bilhões em relação ao ano passado, para R$ 78 bilhões.

Costa e Carlos Thadeu de Freitas, novo diretor das áreas de Crédito, Financeira e Internacional do BNDES, tomaram posse nessa sexta-feira, 11, após terem seus nomes oficialmente aprovados pelo Conselho de Administração do BNDES.

Os dois foram indicados nas vagas anteriormente ocupadas por Claudio Coutinho, do Financeiro, e Vinicius Carrasco, do Planejamento. Ambos pediram demissão em julho, por conta de divergências com a gestão do presidente do BNDES, Paulo Rabello de Castro. O estopim foram críticas de Rabello ao modelo proposto para a nova taxa de juros que balizará os empréstimos do BNDES, a Taxa de Longo Prazo (TLP).

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Fabio Giambiagi também destacou que a instituição terá um cenário de maior concorrência com ou sem a aprovação da Taxa de Longo Prazo (TLP) pelo Congresso, em função da queda da taxa Selic. Com os cortes, a expectativa é que a taxa básica de juros fique próxima à Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP), utilizada pelo banco e hoje em 7% ao ano.

"É uma situação concorrencial nova pra o banco. Eu costumo dizer que como organização o desafio que a gente tem é comparável ao que a Petrobras teve em 1997 com o fim do monopólio do petróleo", disse Giambiagi em coletiva de imprensa no Rio.

Segundo o superintendente, o BNDES hoje trabalha em suas simulações com uma TLP real (descontada a inflação) de 3%, ainda razoavelmente inferior à NTNB de cinco anos, taxa de mercado, hoje em torno de 5%. A expectativa é que em cerca de cinco anos após entrar em vigor a TLP se aproxime às taxas de mercado.

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Carlos da Costa, afirmou que o fato de se adotar a TLP não significa que todas as linhas do BNDES terão essa taxa como referência. "A intenção não é acabar com o BNDES ou linhas que financiam o desenvolvimento. A TLP é uma nova base, mas o congresso poderá alocar recursos orçamentários para aquilo que faz mais sentido para o mercado brasileiro", disse.

Freitas disse ainda que a escolha do banco como novo dealer do Banco Central, esta semana, nada teve a ver com a problemática da TJLP versus TLP. "Não tem sentido o BNDES depender de intermediários para operar com o BC", afirmou.

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