Demanda por executivos está aquecida no período pós-crise

Consumo maior, sobretudo por causa da redução do IPI, estimula contratações de alto nível

O Estado de S. Paulo,

06 de dezembro de 2009 | 15h25

Incentivos fiscais e o bom desempenho do setor industrial a demanda por executivos no Brasil. Empresas que tinham vagas suspensas desde a crise voltaram a contratar e, em vários setores, postos de direção foram ampliados. As vagas cresceram 21% em outubro, em comparação com o mês anterior. Em relação ao mesmo período de 2008, a alta foi de 11%. Os números são da pesquisa Job Bank, que monitora o desempenho do setor, feita pela Right Management, consultoria de gestão de carreiras.

 

O setor industrial liderou as contratações em outubro, com 40% das vagas. O desempenho foi impulsionado pelas indústrias de bens de consumo, automobilística e construção civil, as principais beneficiadas pela redução do imposto sobre produtos industrializados (IPI). "Com outras ações do governo, a medida estimulou o consumo. O consumo está maior e isso se reflete nas políticas das empresas", diz a diretora de Transição de Carreira da consultoria Right Management, Matilde Berna.

 

Nas empresas que demandam alto nível de especialização, os profissionais da concorrência são os mais cobiçados. "Em algumas áreas, não temos tempo nem condições de formar mão de obra. É praticamente impossível formar uma equipe sem recorrer à concorrência", diz o presidente da Astellas Farma, Devaney Baccarin, cuja empresa foi responsável por um verdadeiro arrastão no mercado farmacêutico. A filial brasileira da segunda maior empresa farmacêutica do Japão iniciou suas atividades no País no fim de outubro. Desde então, já levou para seus quadros cinco executivos de algumas das principais concorrentes. Além do próprio presidente da companhia, Devaney Baccarin, com mais de 32 anos de experiência em outras empresas do ramo. Ao todo, a multinacional contratou 60 profissionais - não só executivos - para começar suas operações.

 

CRESCIMENTO

 

As taxas de crescimento de dois dígitos e as vendas superiores a US$ 19 bilhões, excluindo as áreas hospitalar e governamental, justificam o investimento ambicioso no mercado brasileiro, afirma o presidente da Astellas. "Parece uma atitude muito radical, mas na verdade foi muito ponderada. Foram dois anos e meio de pesquisa."

 

O grupo começa suas operações de olho no crescimento dos tratamentos para doenças urológicas. "Pela primeira vez, o País terá um programa de saúde pública destinado exclusivamente aos homens. Além de ser uma conquista para a população, dá excelentes perspectivas para o mercado", considera Baccarin.

 

As empresas de bens de consumo, outra aposta de crescimento dos especialistas, estão correspondendo às expectativas. E não apenas em São Paulo. Líder no mercado de cafés no Brasil, a multinacional Sara Lee acaba de reforçar seu quadro de executivos. Para cuidar da área comercial no Rio de Janeiro, Espírito Santo e Minas Gerais, trouxe o administrador Paulo Cury de volta à iniciativa privada. Ex-Coca-Cola e Kraft Foods, ele integrava a equipe da Secretaria Municipal da Casa Civil do Rio de Janeiro. "Retornei para a iniciativa privada após concluir um ciclo de grande aprendizado no setor público. O timing foi perfeito", diz. Para Cury, o mercado está em seu melhor momento desde a crise. "As oportunidades estão surgindo principalmente neste último trimestre."

 

Recém-chegado à empresa responsável pelas marcas Café do Ponto e Pilão, Cury afirma que os desafios acompanham o ritmo de crescimento do mercado. "Apesar do pouco tempo, já pude notar, pelo dinamismo da categoria de café e pela força do portfólio da empresa, que o mercado está acelerando o seu crescimento e que as perspectivas são realmente muito boas."

 

Na área administrativa financeira, os resultados são ainda mais expressivos. A demanda por profissionais cresceu 36% entre janeiro e setembro de 2009, em comparação com o mesmo período de 2008, segundo levantamento da consultoria de recursos humanos DBM. "Com a crise e os impactos no mercado, as empresas fortalecem o lado financeiro e administrativo", diz o presidente da consultoria, Claudio Garcia.

 

REMUNERAÇÃO

 

Embora a procura por executivos tenha aumentado, a remuneração permanece no mesmo nível, diz a diretora Matilde Berna. Assim, para atrair os profissionais, as empresas têm investido em vantagens na própria companhia, como maior participação no processo decisório.

 

As consultorias especializadas e os headhunters ainda são a principal forma de recrutamento e seleção de executivos. Entretanto, as empresas dão atenção cada vez maior ao perfil dos possíveis empregados em redes sociais e de relacionamento na internet. "Hoje o mercado está atento ao que os profissionais estão fazendo online", diz o headhunter e professor da FGV Luiz Carlos Cabrera.

 

Especialista na seleção de profissionais de alto nível, Cabrera diz que o mercado de executivos deve permanecer aquecido no ano que vem. Um dos líderes na pauta de exportações brasileiras, o agronegócio deverá oferecer boas oportunidades. Com a elevação das vendas e a manutenção dos incentivos fiscais, o varejo e o setor automobilístico também indicam aumento na oferta. "Para sustentar um crescimento de 5,5% a 6,5%, como afirmam alguns especialistas, as empresas vão precisar investir."

 

O setor de serviços, responsável por 28% das contratações em outubro, deve ser um dos destaques de 2010. Sobretudo na área de tecnologia da informação e setores especializados, que oferecem atualmente mais da metade das vagas no ramo. "Não fizemos nenhuma avaliação, mas acreditamos que o ano que vem não será ruim. Mesmo a expectativa das eleições não deve resultar em grandes impactos", diz Matilde Berna.

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