Demanda por gás na Bolívia e no Brasil prejudica Argentina

Exportações de gás para São Paulo costumam ser de 26 milhões ou 27 milhões de metros cúbicos diários, mas subiram para 29 milhões nos últimos dias

Agencia Estado

21 de junho de 2007 | 12h49

As exportações de gás natural da Bolívia para a Argentina foram reduzidas nesta semana devido a um aumento da demanda no mercado boliviano e no Brasil, que tem prioridade no fornecimento determinada em contrato. O jornal boliviano La Prensa, com base em fontes governamentais, publicou que a redução das exportações para a Argentina se dá em momento em que a produção de gás na Bolívia atinge um limite e em que a demanda interna e do Brasil começa a crescer.As exportações de gás boliviano para o estado de São Paulo costumam ser de 26 milhões ou 27 milhões de metros cúbicos diários, mas subiram para 29 milhões nos últimos dias, segundo o La Prensa. Já as exportações para a Argentina e para uma termelétrica em Cuiabá (MT) têm menor prioridade, com base em termos contratuais. A termelétrica de Cuiabá está parada desde sábado, 16, devido à redução do fluxo de gás boliviano.Uma fonte na assessoria de imprensa do Ministério de Hidrocarbonetos da Bolívia disse à Dow Jones que a única pessoa autorizada a falar da redução das exportações era o ministro, que participa de reuniões nesta quarta-feira, 20. Já o Ministério de Planejamento da Argentina, que trata das questões relativas à energia, afirmou que não tinha informações sobre o gás boliviano. Representantes da Repsol YPF, que opera o principal gasoduto entre a Bolívia e a Argentina, não comentaram imediatamente.DificuldadesA Bolívia tem amplas reservas de gás natural, mas enfrenta dificuldades para explorá-las. No ano passado, o governo Evo Morales nacionalizou o setor de hidrocarbonetos e, desde então, debate com as companhias privadas, o que acaba reduzindo os investimentos.O governo ordenou que as empresas privadas divulgassem planos de investimento, mas só uma delas, a Chaco, fez isso. O presidente da Chaco, Ricardo Srebernic, disse nesta semana que a companhia pretende investir US$ 60 milhões no campo Percheles, publicou o jornal La Razón. "A Chaco está cumprindo o acordo fechado com a Enarsa (estatal argentina) para fornecer gás para a Argentina", afirmou Srebernic.Representantes do governo boliviano culparam, rapidamente, as companhias privadas pelos problemas e falaram em falta de investimento. O vice-presidente Alvaro Garcia Linera disse que os cortes no fornecimento para a termelétrica de Cuiabá ocorreram devido a problemas na unidade de compressão administrada pela Repsol, na região de Santa Cruz.A produção total de gás da Bolívia, atualmente, é de 45 milhões de metros cúbicos diários.

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