Demanda por NTN-B caiu, admite o Tesouro

Papéis do tesouro atrelados ao IPCA foram menos procurados por conta da queda da inflação

Adriana Fernandes e Eduardo Rodrigues, da Agência Estado,

21 de junho de 2011 | 15h49

Com a queda da inflação, houve uma redução da demanda dos investidores pelos papéis atrelados ao IPCA, NTN-B, admitiu o coordenador geral de Operações da Dívida Pública do Tesouro, Fernando Garrido. Segundo ele, no início do ano o governo observou aumento na demanda por esses papéis porque havia expectativa de inflação maior. Agora, com o fim dessa expectativa e a melhora dos índices de inflação, a demanda recuou. Como o Tesouro fez um grande resgate líquido de NTN-B no mês de maio, no valor de R$ 44 bilhões, Garrido explicou que até o final do ano deverá haver uma emissão líquida de NTN-B.

Ele também comentou a queda da inflação implícita observada nos papéis atrelados ao IPCA. Segundo ele, esse recuo mostra que as expectativas de inflação estão novamente ancoradas e que o mercado está confiante na eficiência do trabalho do Banco Central e também que não há maiores preocupações com a inflação.

Garrido informou ainda que não há nada definido sobre uma nova emissão externa de títulos soberanos no futuro próximo, mesmo depois da melhora do rating do Brasil concedida ontem pela agência de classificação de risco Moody's.

Questionado se não seria natural o Brasil ir ao mercado externo para aproveitar a melhora do rating, Garrido respondeu que os preços do mercado não mudaram significativamente com a nota e destacou que a melhora do rating já estava nos preços dos papéis negociados.

Recorde

O recorde histórico de 10.088 novos investidores cadastrados no Programa Tesouro Direto em maio, bem como o volume inédito de R$ 360,91 milhões em papéis negociados no mês se devem à melhor divulgação do programa e à redução dos custos para as corretoras, avaliou o coordenador-geral de Operações da Dívida Pública, Fernando Garrido.

"Os recordes mostram um crescimento bastante expressivo se compararmos às médias do ano passado e do início deste ano. Isso reflete os esforços do Tesouro e da BM&FBovespa em tornar o programa mais atraente", afirmou Garrido.

Além disso, acrescentou, houve um grande volume de vencimentos em maio, o que normalmente também faz com que a quantidade de novas compras aumente no período. O estoque de papéis no programa fechou o mês de maio em R$ 5,769 bilhões, e o total de investidores cadastrados chegou a 245.994.

Incerteza

O coordenador-geral de Operações da Dívida Pública do Tesouro Nacional, Fernando Garrido, admitiu que as incertezas no mercado internacional em relação à crise financeira na Grécia dificultam o Tesouro encontrar uma janela de oportunidade para uma nova emissão externa do Brasil. "Qualquer movimento (como o da Grécia) tende a fazer com que os países emissores sejam mais cautelosos em fazer novas captações", afirmou. Ele ponderou, no entanto, que "não se trata" de um impedimento e que o Tesouro aguarda as melhores condições do mercado.

A última vez que o Tesouro fez uma emissão externa foi em outubro de 2010, com venda de BRLs (títulos atrelados ao real). De lá para cá, mesmo com dois upgrades recebidos por agências de classificação de risco, não houve novas captações. Garrido avaliou que o novo upgrade, concedido ontem, "tende" a melhorar as condições para uma nova captação. Mas ponderou que "boa parte" da melhora do rating foi antecipada pelos investidores e já estava nos preços dos papéis no mercado.

Na sua avaliação, as condições para uma nova captação já estavam boas no mês passado e, agora, melhoraram mais para o Brasil. Um indicador dessa melhora, afirmou, é o aumento da demanda por papeis prefixados no mercado interno, acompanhado por queda nas taxas. Garrido destacou que os preços dos papéis prefixados no mercado interno são referência para as captações externas.

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