Demanda pressiona juros em 2011

Segundo o balanço das operações de crédito de agosto, houve novo recuo nas taxas de juros das linhas de empréstimos com recursos livres (sem destinação específica). O desempenho foi determinado pelas modalidades destinadas às famílias, visto que foi apurado aumento nas taxas voltadas às empresas. O fim do ciclo de aperto monetário promovido pelo Banco Central (BC) traz um cenário favorável para os próximos meses.

Análise: Alexandre Andrade*, O Estado de S.Paulo

23 de setembro de 2010 | 00h00

As taxas cobradas não deverão subir até o fim do ano. Os custos de captação dos bancos se mostram menos pressionados e a manutenção da inadimplência em níveis confortáveis, bem como a competição entre os bancos, deverão manter os spreads em trajetória declinante nos próximos meses, especialmente os associados às modalidades destinadas às famílias.

O fato de modalidades que apresentam melhores garantias para as instituições financeiras serem as que exibem maior crescimento, tais como veículos e crédito consignado, permite afirmar que o cenário para as taxas de juros aos tomadores finais será positivo nos próximos meses. Além disso, a redução das taxas ocorre em um contexto de bons fundamentos: crescimento da renda e da ocupação no mercado de trabalho, com manutenção da taxa de desemprego em níveis historicamente baixos.

Em agosto, houve recuo de 40,5% ao ano para 39,9% nas taxas de juros dos empréstimos às famílias. Nas empresas, houve alta de 0,2 ponto porcentual, para 28,9% ao ano. Nesse caso, as taxas não apresentam tendência de retração em virtude de possíveis mudanças na composição dessas carteiras, fruto, sobretudo, da maior atuação do BNDES na concessão de empréstimos para financiamento de capital de giro, que teria roubado espaço dos bancos comerciais.

Os resultados de forte avanço do crédito em agosto reforçam a percepção de que a economia seguirá aquecida até o fim do ano. Mantidas as atuais condições no mercado de trabalho, como também de aumento do poder aquisitivo com os reajustes no salário mínimo e nas aposentadorias, a demanda doméstica continuará a exibir crescimento robusto, pressionando a inflação e obrigando o BC a retomar o ciclo de aperto monetário no primeiro trimestre de 2011.

É ECONOMISTA DA TENDÊNCIAS CONSULTORIA

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