Demissão de metalúrgicos cresce 48% no Vale do Paraíba

As indústrias metalúrgicas da região de São José dos Campos, interior do Estado de São Paulo, podem estar vivendo uma das piores crises com relação à oferta de empregos. A afirmação é do presidente do Sindicato dos Metalúrgicos, Luiz Carlos Prates.De janeiro a junho, 2.222 pessoas foram demitidas, contra 1.502 no mesmo período do ano passado, de acordo com as homologações realizadas pelo sindicato. O índice deste ano é 48% maior que o registrado em 2001.As demissões referem-se aos metalúrgicos com mais de um ano de trabalho na empresa, já que antes deste período as homologações são feitas na Delegacia Regional do Trabalho. O número de homologações refere-se a empresas instaladas em São José dos Campos, Jacareí, Caçapava e Santa Branca, região do Vale do Paraíba.Segundo o sindicalista, o número de demissões é ainda maior, já que não foram contabilizados no levantamento os temporários, "que também ficaram sem emprego". De acordo com o sindicato, o setor que mais demitiu foi o de telecomunicações. Em cerca de um ano, a Ericsson reduziu seu quadro de funcionários de 1.200 para 300 trabalhadores.Boa parte das dispensas ocorreu no início do ano, quando a empresa desativou as linhas de produção de componentes para telefonia. Nos primeiros seis meses deste ano, a Ericsson dispensou 618 funcionários, a Solectron, 102, e a Sergerstrom, 97. Na Sergerstrom e Ericsson, o motivo das dispensas foi a transferência da produção para a cidade de Hortolândia. "Dos 600 demitidos, apenas 70 foram transferidos para outra cidade", afirmou Prates.A dispensa nas pequenas empresas também preocupa o sindicato. As 2.222 demissões ocorreram em cerca de 500 empresas metalúrgicas. "Como as pequenas dependem das grandes para continuar funcionando, o reflexo foi imediato" disse o sindicalista.Na manhã desta terça-feira, cerca de 100 trabalhadores da Avibrás paralisaram a produção na unidade de Jacareí, em protesto contra a falta de pagamento da Participação nos Lucros e Resultados (PLR). Segundo o Sindicato dos Metalúrgicos, a empresa não paga o benefício há dois anos. "No ano passado, a empresa informou que estava em crise, mas neste ano não há motivo para o não pagamento", disse Prates.De acordo com o diretor da Avibrás, João Brasil, a empresa está formando uma comissão de funcionários e acionistas para definir as bases da PLR. "Com certeza, para o ano que vem, a PLR estará garantida, mas não podemos definir os valores sem a formação desta comissão."

Agencia Estado,

23 de julho de 2002 | 18h57

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