Demissão nos EUA é pior em 63 anos

Com o corte de 2,6 milhões de empregos, 2008 entra para a história como o pior ano para o mercado de trabalho nos Estados Unidos desde 1945, quando o país perdeu 2,75 milhões de vagas com o fim da Segunda Guerra Mundial. Já o índice de desemprego subiu para 7,2% em dezembro, e é o mais alto desde janeiro de 1993. Esses números são o retrato fiel do aprofundamento da recessão na maior economia do mundo, e tornam ainda mais urgente a adoção rápida de um plano eficaz de reativação. O desemprego, que em novembro havia atingido 6,8%, superou a previsão dos analistas, que era de 7% para dezembro. O Departamento de Trabalho americano divulgou ontem que no último mês do ano as empresas cortaram 524 mil empregos, pouco abaixo das projeções dos analistas, de 550 mil. A perda de emprego em dezembro se espalhou por quase todos os setores da atividade econômica, exceto na educação, na saúde e na administração pública, onde foram criadas 717 mil vagas em 2008. O número de desempregados nos EUA já chega a 11,1 milhões, segundo o departamento. Somam-se a eles mais de 5 milhões de pessoas em busca de emprego.A situação é "muito grave" e exige "medidas imediatas", disse o presidente eleito Barack Obama. Segundo ele, sua equipe fez "grandes progressos" nas discussões com os membros do Congresso americano para a adoção, o mais rápido possível, do plano de estímulo da economia, que poderá custar pelo menos US$ 800 bilhões.Para Nariman Beravesh, economista do IHS Global Insight, "o mercado de trabalho continua em queda livre", e a sangria deve se manter em 2009. "Se um plano de recuperação orçamentária importante for adotado rapidamente, porém, então o ritmo das perdas de empregos poderá ser contido no segundo semestre.""Esse é um relatório bastante desanimador. Ele retrata um cenário em 2008 muito pior do que pensávamos. Isso não é um bom prognóstico para o desemprego no primeiro trimestre. É um dos declínios de emprego trimestrais mais significativos na história pós-Guerra", disse Lindsey Piegza, analista de mercado na FTN Financial em Nova York.O ritmo de cortes de emprego está aumentado os temores de que a recessão econômica iniciada em dezembro de 2007 possa ser maior desde o declínio de 1981, que durou 16 meses. O dado também enfatiza a necessidade urgente de um forte estímulo econômico. Ontem, logo após a divulgação dos dados, as bolsas americanas começaram a cair. Às 18h50 (de Brasília), o índice Dow Jones caía 1,33%, o Nasdaq recuava 2,44% e o S&P-500, 1,8%.

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