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Demissão também afeta a baixa renda

Construção civil e comércio, que absorveram um grande contingente de mão de obra com pouca escolaridade, começaram a cortar vagas

ALEXA SALOMÃO , LUIZ GUILHERME GERBELLI, O Estado de S.Paulo

15 de setembro de 2013 | 02h12

O desaquecimento do mercado de trabalho afetou também a criação de postos com carteira assinada para brasileiros com baixa qualificação. Nos anos de forte crescimento econômico, esse grupo de profissionais foi abraçado por setores como comércio e construção, que agora estão enfrentando desaceleração no emprego formal.

Entre janeiro e julho, a variação do desligamento médio anual da construção civil, do comércio e dos serviços é bastante superior ao comportamento das admissões, revela um estudo feito pela LCA Consultores. (leia quadro). O comportamento das admissões em relação aos desligamentos só é maior na indústria, justamente o setor da que tem apresentado melhores resultados na comparação com o ano passado e que demanda profissionais com nível mais alto de escolaridade.

A desaceleração do emprego na construção civil também é medida pela pesquisa do Sinduscon-SP em parceria com a FGV. No acumulado do ano, até julho, o nível de emprego subiu 3,62%, com a contração de 122,1 mil trabalhadores. No mesmo período de 2012, o acréscimo foi de 6,98%, com a contratação de 221,5 mil trabalhadores.

"O setor da construção civil tem uma escolaridade inferior à da indústria e de vários segmentos do setor de serviços. Parece-me natural que, quando um setor menos escolarizado vai mal, o pessoal mais escolarizado acaba sendo beneficiado na outra ponta", afirma Fabio Romão, economista da LCA. "O comércio também acaba incorporando pessoas com menos escolaridade, mas não na mesma intensidade da construção", diz.

O fato de a variação dos desligamentos crescer acima das admissões não significa um fechamento de vagas com carteira assinada. Na soma de todos os setores nos primeiros sete meses do ano, as admissões cresceram 2,7%, e os desligamentos tiveram alta de 5,7%. Tanto é que, no acumulado do ano até julho, houve criação líquida de empregos formais de 907.214 vagas. "Em volume, as admissões estão acima dos desligamentos nos últimos anos. Pode haver uma falsa sensação de fechamentos de postos de trabalho, mas o que houve foi uma abertura líquida menor", diz Romão.

Na avaliação do economista Eduardo Zylberstajn, da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), o desaquecimento do mercado de trabalho também pode ser medido pela Pesquisa Mensal de Emprego (PME), do IBGE. "Estamos num processo de alta do desemprego", diz. A estimativa da Fipe para a taxa de desemprego em agosto é de 5,5%, abaixo dos 5,6% de julho, mas acima dos 5,3% registrados em agosto do ano passado.

Currículos. Zylberstajn também destaca a queda no Índice Catho-Fipe de Vagas por Candidato (IVC). O indicador tenta mostrar a oferta e demanda por trabalho, levando em conta a quantidade de novas vagas com a quantidade de novos currículos publicados. Em agosto, essa relação foi de 0,91. Foi o segundo mês consecutivo de queda desse indicador, mesmo levando em conta os efeitos sazonais: Essa relação foi de 1,02 em junho e de 0,94 em julho de 2013.

A tendência, segundo projeções que aparecem no relatório do Itaú BBA, é que a taxa de desemprego aumente 1 ponto porcentual entre 2013 e o ano que vem. É um número muito expressivo. Isso é equivalente a quase 500 mil brasileiros sem emprego, de acordo com os cálculos da Tendências Consultoria. "Se essa tendência se mantiver, em algum momento do ano que vem poderia haver uma reversão, com maior aumento dos desligamentos em relação às admissões", afirma Alessandra Ribeiro, economista da Tendências.

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