Demissões atingem até headhunters

Empresas de contratação de executivos cortam pessoal

Ana Paula Lacerda e Marianna Aragão, O Estadao de S.Paulo

17 de janeiro de 2009 | 00h00

A crise financeira que levou as empresas brasileiras a demitir no chão de fábrica também as fez colocar o pé no freio na contratação de executivos. E os cortes chegaram àqueles que antes eram responsáveis por preencher as vagas: os recrutadores.Consultorias e agências de recrutamento de profissionais de alto escalão - presidentes, vices e diretores - já começam a sentir o baque. A redução do ritmo de contratações levou empresas líderes do setor como Michael Page e Spencer Stuart a demitir funcionários no Brasil.No exterior, o Google anunciou esta semana que, após renegociar contratos com empresas de recrutamento, demitiu 100 funcionários da área de seleção em todo o mundo.Na Michael Page, o quadro foi reduzido de 155 consultores para 135, no Brasil. "A partir do momento que o mercado freia e meus clientes adiam buscas por profissionais, é necessário fazer um ajuste", diz o presidente do grupo no Brasil, Paulo Pontes. "Agora estamos com o tamanho adequado para enfrentar 2009."Na Stuart Spencer, funcionários confirmam que houve nove demissões, do quadro de 36 pessoas em atividade no escritório brasileiro. Procurada, a empresa não respondeu ao pedido de entrevista.Uma pesquisa recente da PriceWaterhouseCoopers feita com CEOs brasileiros de empresas de grande porte mostrou que, entre as primeiras medidas de corte de custos para enfrentar a crise estão a redução de gastos com consultorias de recrutamento e treinamento de pessoal."Esse mercado ficará mais disputado este ano", diz Pontes. Ele espera, para a Michael Page Brasil, resultado 20% menor que o de 2008, após cinco anos de altas seguidas. "Ainda assim estaremos acima do resultado de 2007." A empresa mantém os investimentos previstos e abrirá em breve um escritório em Belo Horizonte (MG).Apesar das dificuldades, Pontes está otimista de que os negócios aos poucos voltem ao normal. "O Brasil foi o país que criou o maior número de vagas para contratação neste início de 2009, dentre os 28 atendidos pela empresa", diz ele. "É um sinal de que o olho do furacão já passou aqui." Estados Unidos, Espanha e Inglaterra, por outro lado, praticamente não criaram oportunidades.Outras companhias da área, que não fizeram cortes, verificam redução no volume de negócios. É o caso da Fesa, que recruta altos executivos no Brasil há 13 anos. Nos últimos cinco anos, a pujança da economia fez a empresa multiplicar por dez o tamanho de sua operação - e também o faturamento - no País. Hoje, são 90 empregados na operação brasileira.Em dezembro, as contratações caíram 10% ante novembro, que já havia registrado redução de 10% em relação a outubro. Mesmo assim, a companhia cresceu 52% no ano. "Vínhamos trabalhando 16 horas por dia", diz o CEO Alfredo Assumpção. "Vamos poder descansar um pouco", brinca. Assumpção acredita que em 2009 haverá novas demandas das companhias, também por causa da crise. "Está havendo muita troca de executivos em função das novas estratégias das empresas. Janeiro já foi melhor que dezembro", afirma.

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