Demissões chegam também ao Google

Considerado o melhor empregador dos EUA, grupo não resiste à crise

Ana Paula Lacerda, O Estadao de S.Paulo

16 de janeiro de 2009 | 00h00

Mesmo sendo considerada, segundo a revista Fortune, a melhor empresa para se trabalhar nos EUA, o Google acaba se comportando como um empregador comum nos momentos de crise. É hora de fazer ajustes de orçamento... e cortes.A empresa anunciou ontem a demissão de 100 pessoas do setor de recrutamento e seleção em todo o mundo. Mas não informou se esses cortes afetam o Brasil. "O Google reconhece o desconforto que isso causará para os profissionais afetados, mas espera que muitos deles encontrem novas possibilidades em outras áreas dentro da companhia", escreveu no blog oficial da empresa (googleblog.blogspot.com) o vice-presidente de operações de pessoal do Google, Laszlo Bock.Ao anunciar os resultados do terceiro trimestre, no ano passado, a empresa já havia anunciado a intenção de reduzir o ritmo de contratações. O presidente da empresa, Eric Schmidt, já havia dito que a empresa manteria os olhos atentos aos custos. Após esse anúncio, os contratos com empresas de recrutamento foram renegociados, e o pessoal do Google que lidava com essas empresas acabou perdendo espaço. "Dada a situação atual da economia, reconhecemos que precisávamos de menos pessoas focadas em recrutamento", afirmou Bock. "Tentamos eliminar quase todos os nossos contratos terceirizados, e é com grande tristeza que reconhecemos precisar ir além disso e demitir."A empresa anunciou também o fechamento de três escritórios: em Austin (EUA), em Trondheim (Noruega) e Lulea (Suécia). A empresa afirmou que tentará realocar os 70 funcionários desses três escritórios em outras localidades. Porém, "admite com dores no coração que talvez não seja capaz de aproveitar 100% desses funcionários excepcionais", nas palavras do vice-presidente de engenharia e pesquisa do Google, Alan Eustace. Em setembro, a empresa já havia encerrado as atividades na cidade americana de Phoenix.Muitos dos escritórios restantes viram suas cafeterias gratuitas serem fechadas. E o presente de fim de ano da empresa, que em geral era algo ao redor de US$ 1 mil, foi trocado por um celular de US$ 400.PROJETOS CANCELADOSApesar de o total de dispensados ser pequeno em comparação ao total de funcionários da empresa (cerca de 20 mil ao redor do globo), o momento atual é um dos mais duros para o Google desde sua criação. As ações da empresa caíram de US$ 741 em novembro de 2007 para menos da metade desse valor. Na manhã de ontem, eram negociadas a US$ 290.Alguns projetos em desenvolvimento pela empresa foram cancelados ou terão suas operações reduzidas. O Google Video, por exemplo, já era considerado um projeto excedente desde a aquisição do Youtube, em 2006, e será completamente fechado em alguns meses. O mesmo acontecerá com o Dodgeball (um programa que permitia aos usuários informar sua localização por SMS), Mashup Editor e Catalog Search. O Google Notebooks não aceitará novos usuários . Continuará funcionando, porém sem futuras atualizações para quem já o utiliza. E o desenvolvimento do Jaiku, um recurso para produção de microblogs (nos moldes do Twitter), não avançará. O Jaiku será oferecido como um projeto de código aberto no Google Code.Outros serviços que não alcançaram boa audiência, como o SearchMash, um serviço de busca em que a empresa testava novas fórmulas, e o Lively, uma espécie de Second Life, já haviam sido encerrados no ano passado. COM AGÊNCIAS INTERNACIONAISPROJETOS DELETADOS Jaiku: Plataforma para a criação de microblogs, como o Twitter. Será oferecido como código aberto no Google Code Dodgeball: Serviço que permitia os usuários, por meio de mensagem de celular, informar sua localização exata. Será cancelado nos próximos mesesMashup Editor: Editor de código online - sem interface gráfica - que aceita HTML, CSS e JavaScript. Foi canceladoGoogle Notebook: Permite armazenar links, imagens e textos na web, podendo ser lidos de qualquer computador conectado à rede. Não aceitará novos usuáriosCatalog Search: Serviço de busca em catálogos disponíveis online. Foi cancelado Google Videos: Plataforma para publicar e exibir vídeos na web. Obsoleto desde a compra do YouTube, em 2006, foi cancelado

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