Demissões da indústria paulista em 2008 assombram 2009

Depois de surpreender negativamente no fim de 2008, o emprego industrial paulista deve continuar deteriorado por mais algum tempo em resposta aos efeitos da crise mundial na atividade brasileira, mas ainda é cedo para dizer até quando, afirmou a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) nesta segunda-feira. O fechamento de vagas em dezembro foi o maior da série histórica iniciada em 1994, levando o ano a registrar a primeira queda desde 2006. Outra pesquisa da entidade apontou que o humor do empresário continuou abatido em janeiro, embora em ritmo menor. "O emprego, que costuma ter uma defasagem (sobre a desaceleração da atividade econômica), agora caiu prematuramente. A empresa não tem dúvida de que o futuro vai ser pior que o presente e demite", disse Paulo Francini, diretor econômico da Fiesp. O emprego na indústria recuou 2,72 por cento em dezembro sobre novembro, com ajuste sazonal, o equivalente ao fechamento de 130 mil postos. Em 2008, a queda foi de 0,27 por cento, com 7 mil demissões, ante alta de 5,11 por cento em 2007 e previsão da Fiesp de avanço de 2 por cento. O indicador Sensor --um índice antecedente que mede o sentimento do industrial sobre a atividade do setor-- subiu para 43,5 pontos na primeira quinzena de janeiro, ante 35,1 pontos no fechamento de dezembro, mas segue abaixo da linha de 50, que divide a contração do crescimento. "O Sensor mostra que há uma percepção de que a queda vai continuar ocorrendo. A percepção de queda foi atenuada em relação a dezembro, que foi o piso, mas diz que vai continuar caindo", afirmou Francini. O componente de emprego do Sensor avançou para 44,2 pontos na primeira metade do mês, ante 42 em dezembro, também mantendo-se abaixo dos 50 pontos. "Isso diz que o emprego vai continuar caindo." Francini aprovou as medidas de liquidez do governo para conter a crise, mas disse que o corte de juro iniciado neste mês veio tarde. Mesmo com as medidas, ainda é difícil prever o comportamento do ano, acrescentou ele, que ainda está fechando as previsões. "Uma das características dessa crise é a extrema velocidade e violência que ela tem de mudança. Em um curto espaço de tempo você tem números muito expressivos (para o lado negativo) na indústria toda", disse ele, ressaltando a falta de previsibilidade atual. NENHUMA CONTRATAÇÃO A previsão de 2008 da Fiesp de avanço no emprego foi surpreendida em razão do comportamento negativo de todos os setores --pela primeira vez na série histórica todos os 21 segmentos pesquisados relataram demissões em dezembro. No ano como um todo, 11 informaram demissões, 9 tiveram contratações e 1 apontou estabilidade. Em dezembro, entre os setores, o destaque de demissões foi Máquinas de escritório e equipamentos de informática, com recuo do emprego de 29,5 por cento ante novembro, seguido por Coque, refino de petróleo, combustíveis nucleares e álcool, com queda de 24,9 por cento. O segmento de açúcar e álcool costuma demitir no fim do ano, mas em 2008 teve um comportamento pior que o da média histórica, sendo a principal contribuição negativa, de cerca de 60 por cento do total das demissões de dezembro e do ano. No ano, Couros, artigos de couro, viagem e calçados teve declínio do emprego de 18,4 por cento. Já Máquinas de escritório e equipamentos de informática foi o destaque de alta em 2008, com expansão do emprego de 11,5 por cento. (Edição de Renato Andrade)

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