finanças

E-Investidor: "Você não pode ser refém do seu salário, emprego ou empresa", diz Carol Paiffer

Demissões em massa no mundo colocam recuperação em dúvida

GM, US Airways, Daimler, Nokia Siemens, BP e HSBC anunciaram planos de cortes de vagas na última semana

Danielle Chaves, da Agência Estado,

05 de novembro de 2009 | 12h45

Menos de uma semana depois de o governo do presidente Barack Obama ter afirmado que o programa de estímulo fiscal ajudou a criar ou a salvar quase 650 mil empregos nos EUA, uma série de companhias informou que fará cortes em massa de vagas. Microsoft fez o anúncio nesta última quarta-feira, 4, dia em que a pesquisa da Automatic Data Processing (ADP) mostrou eliminação de 203 mil postos no setor privado nos EUA em outubro. Na lista das empresas globais que anunciaram reduções significativas de pessoal recentemente aparecem General Motors, Johnson & Johnson, US Airways, Daimler, Nokia Siemens, os bancos HSBC e RBS e a petroleira BP.

 

Na terça-feira, a Johnson & Johnson informou que pretende eliminar até 7% de sua força de trabalho global de cerca de 120 mil pessoas, o que representará um corte de aproximadamente 8,4 mil empregos. Segundo a companhia, a medida faz parte de um plano de redução de custos que deverá gerar economias de US$ 1,7 bilhão até 2011, quando estará totalmente implementado.

 

Na semana passada, a companhia aérea US Airways revelou um plano para reorganizar suas rotas e se concentrar na força de redes que a empresa afirma que irão ajudá-la a voltar à lucratividade. Dentro desse plano, a US Airways vai eliminar mil empregos, ou cerca de 3,1% de sua força de trabalho total.

 

A Microsoft anunciou nesta quarta-feira 800 demissões, que integram um plano mais amplo de cortes em todo o mundo revelado em janeiro deste ano - o primeiro a prever demissões em massa nos 34 anos da companhia. Segundo um porta-voz da Microsoft, o plano agora vai totalizar 5,8 mil cortes, acima dos 5 mil anunciados em janeiro.

 

Os dois anúncios foram feitos nos EUA um dia antes da publicação do relatório mensal do Departamento do Trabalho daquele país sobre o mercado de trabalho norte-americano, nesta sexta-feira. A previsão é que os números mostrem que foram eliminados 175 mil empregos em outubro.

 

Depois de decidir não mais vender suas unidades europeias Opel e Vauxhall para a Magna International, a General Motors reiterou ontem que cerca de 10 mil empregos poderão ser perdidos na Europa. John Smith, o executivo da GM que está lidando com a reorganização da Opel, disse em teleconferência que a revisão do plano para a empresa alemã deverá manter os cortes, que já estavam previstos anteriormente.

 

Os supostos 650 mil empregos criados ou salvos nos EUA pelo programa de estímulo do governo acirraram o debate entre a Casa Branca e os republicanos sobre o sucesso do pacote de US$ 787 bilhões. Para alguns republicanos, não se pode falar em empregos "salvos" - um conceito que não existiria nos livros-texto de economia - e os números carecem de significado. Entre os economistas em geral é consenso que a reativação econômica não estará garantida enquanto não houver recuperação do mercado de trabalho.

 

À parte o debate nos EUA, os recentes anúncios de cortes de emprego não se restringem a companhias norte-americanas. Embora a economia global venha mostrando sinais de recuperação, empresas de todo o mundo seguem reestruturando seus negócios e reduzindo a força de trabalho.

 

Na Alemanha, a montadora Daimler informou ontem que planeja cortar cerca de mil empregos na sua divisão de carros de passageiros Mercedes-Benz por meio de pacotes de compensação, dentro de um movimento mais amplo para reduzir custos e reorganizar a companhia. Uma porta-voz da Daimler afirmou, no entanto, que o acordo trabalhista da empresa, que descarta demissões nas operações alemãs da companhia até o fim de 2011, permanece em vigência. Ela afirmou também que a magnitude da reestruturação depende de quantos empregados aceitarão as ofertas.

 

A Nokia Siemens Networks, uma joint venture entre a finlandesa Nokia e a alemã Siemens, anunciou na terça-feira que está reorganizando seus negócios, o que pode levar à eliminação de até 9% de sua força de trabalho global, que totaliza 64 mil funcionários. Isso representaria um corte de cerca de 5,8 mil vagas.

 

O setor financeiro também não escapou da nova onda de cortes de empregos. O banco britânico HSBC Holdings informou na terça-feira que está cortando 1,7 mil empregos no Reino Unido, a maior parte deles nos segmentos de cobranças e cartões de crédito. A decisão veio apenas um dia após o Royal Bank of Scotland anunciar que planeja eliminar cerca de 3,7 mil vagas em suas operações de varejo no país.

 

Já a petroleira britânica BP pretende cortar cerca de 600 empregos na Alemanha. "No ano que vem, planejamos transferir 260 empregos da Alemanha para Budapeste", disse o presidente da unidade da empresa na Alemanha, Uwe Franke, ao jornal Westdeutsche Allgemeinen Zeitung, na semana passada. A BP está construindo um novo centro de serviços na capital da Hungria. Além disso, o grupo prevê eliminar cerca de 340 posições nas operações de refino de Gelsenkirchen, na Alemanha.

 

Outro sinal de atenção para o mercado de trabalho mundial foi o comunicado da ArcelorMittal, a maior siderúrgica do mundo, divulgado na terça-feira. A companhia afirmou que não deu garantias de que manterá empregos na Europa, embora esteja trabalhando com sindicatos para aumentar o emprego futuro diante da queda recente da demanda por aço. O comunicado da Arcelor foi emitido após a Federação dos Metalúrgicos da Europa afirmar que ambos os lados fecharam um acordo para garantir todos os 115 mil empregos da companhia no continente.

Tudo o que sabemos sobre:
empregomundorecuperação

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.