Demissões na Webjet provocam protestos

Sindicato diz que folha de pagamento de aérea que demite não deve ser desonerada

MARINA GAZZONI, O Estado de S.Paulo

27 de novembro de 2012 | 02h12

Os ex-funcionários da companhia aérea Webjet e representantes do Sindicato Nacional dos Aeronautas protestaram ontem em cinco capitais contra o fechamento da empresa, anunciado na sexta-feira. O sindicato quer a reversão da demissão de 850 trabalhadores e ameaça pedir que a Gol não seja beneficiada pela desoneração da folha de pagamento das companhias aéreas que entra em vigor em janeiro.

"Nós nos unimos às empresas para pedir a desoneração da folha de pagamento para o setor aéreo. A contrapartida, do ponto de vista trabalhista, era não demitir. Tínhamos um pacto e queremos que ele seja cumprido", disse o secretário-geral do SNA, Sergio Dias. "Se a Gol não recontratar os funcionários demitidos, vamos pedir ao governo que ela não receba o benefício."

As companhias aéreas serão beneficiadas por uma nova regra para recolhimento da contribuição previdenciária a partir de janeiro. A mudança trará uma economia anual de R$ 300 milhões para o setor, segundo estimativas da Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear), representante das companhias aéreas na negociação com o governo.

"O acordo de desoneração do setor aéreo, fechado, junto com outros setores, com o governo federal em setembro, tinha a expectativa de evitar demissões", afirmou a Abear, em nota. A entidade ressaltou que a desoneração foi o "primeiro passo de uma agenda de recuperação de competitividade das empresas aéreas". As empresas também pedem uma revisão do cálculo do querosene de aviação pela Petrobrás e de tarifas aeroportuárias.

Em comunicado, a Gol informou que "não foi firmado qualquer acordo ou compromisso entre empresas e governo". A companhia disse também que o benefício recebido pela desoneração - estimado em R$ 100 milhões no ano - será anulado pelo aumento de custos com tarifas aeroportuárias e de conexão em 2013, um impacto de R$ 150 milhões. "Ou seja, (o aumento de tarifas) anula a redução tributária e ainda onera a empresa em R$ 50 milhões."

Manifestação. Um grupo de cerca de cem pessoas protestou ontem no aeroporto de Congonhas com máscaras, apitos, nariz de palhaço e cartazes questionando o fim da Webjet e a autorização da fusão da empresa com a Gol pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). As manifestações também foram realizadas em Salvador, Rio, Belo Horizonte e Porto Alegre.

Um dos manifestantes era Rodrigo Patrick, piloto há dez anos e comandante da Webjet havia dois anos. Ele diz que esperava demissões após a fusão com a Gol, mas não o fim da empresa. Agora, tenta se recolocar no mercado, mas tem pouca esperança em conseguir um emprego no Brasil. "Agora, só tem emprego para piloto no exterior", disse Patrick, que tenta uma vaga na chinesa Okay Airways, fundada em 2004, um ano antes da Webjet.

Com o cenário ruim para a aviação, ele desaconselhou o irmão mais novo, de 17 anos, a seguir a carreira que escolheu. "Falei para ele não ser piloto. O mercado não está bom."

O comandante Alexandre Domingues, que trabalhava havia quatro anos na Webjet, assiste pela segunda vez o fim de uma empresa aérea. Domingues foi piloto da Varig por 21 anos e viu a empresa mergulhar em uma crise profunda que culminou com a sua venda para a própria Gol.

O piloto diz que saiu de casa para protestar contra o governo pela falta de estímulo ao setor aéreo, e não contra a Gol. "Até entendo que uma empresa que registrou prejuízo de R$ 1 bilhão demita", disse. "Queremos sensibilizar o governo que, sem incentivo à aviação nacional, não vai sobrar uma empresa aérea no Brasil", disse Domingues. O piloto quer ficar no Brasil, mas teme que não consiga emprego nas companhias aéreas nacionais. "Nenhum brasileiro vai trabalhar no exterior feliz. Vai porque não tem emprego no Brasil. Aqui o quadro é de demissão."

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