Clayton de Souza/Estadão
Clayton de Souza/Estadão

Demissões nas pequenas indústrias batem recorde

Segundo o sindicato das micro e pequenas indústrias de SP, 19% das empresas cortaram postos de trabalho

ANNA CAROLINA PAPP, O Estado de S.Paulo

17 Dezembro 2014 | 02h04

As demissões nas micro e pequenas indústrias do Estado de São Paulo registraram recorde em novembro pelo segundo mês consecutivo. De acordo com o levantamento do Sindicato da Micro e Pequena Indústria de São Paulo (Simpi-SP), 19% das empresas consultadas disseram ter demitido no mês anterior - em média, fecharam 2,2 postos de trabalho.

No acumulado de janeiro a novembro, demissões bateram à porta de 17% das empresas, que cortaram no período 1,195 milhão de vagas. Se subtraídas as contratações no ano, o total de postos de trabalho cortados foi de 288 mil.

A pesquisa também mostra que 94% dos empresários não pretendem contratar funcionários no mês de dezembro. Pelo contrário: pretendem fechar em média 2,4 postos no mês.

A expectativa para os próximos meses também não é animadora: 58% acreditam que o desemprego no Brasil crescerá nos próximos três meses - o patamar mais alto desde o início da pesquisa, em março de 2013. Em outubro, esse porcentual era bem inferior: 40%.

"Uma das razões é a inadimplência, pois 47% das empresas disseram ter sofrido calote no recebimento", diz Joseph Couri, presidente do Simpi-SP. "O segundo é a falta de crédito: as empresas não conseguem obter crédito junto ao sistema financeiro. O terceiro é um aumento de custos da produção que não está conseguindo ser repassado, face à concorrência desleal dos produtos importados", afirma.

Segundo Couri, o pacote de estímulo ao crédito com a liberação do compulsório lançado pelo Banco Central em agosto não foi benéfica à categoria. "Não chegou na ponta: o sistema financeiro não repassou às empresas", diz. "Se não houver flexibilização de crédito e melhoria nas condições concorrenciais, o cenário vai ficar cada vez mais difícil. O ano de 2015 vai depender exclusivamente das medidas governamentais", diz.

Queda brusca. Há poucos meses, não havia esmaltes mais cobiçados em salões de beleza e perfumarias do que a coleção Giovanna Antonelli, sobretudo o azul "Frio na Barriga", que teve um estouro de vendas em todo o País.

Na onda do sucesso das unhas da atriz em seu papel numa novela, a Specialittà, fabricante da coleção, viu sua produção crescer mais de 200% de março a julho.

Quase seis meses depois, a situação se inverteu completamente: a empresa viu a demanda cair a quase um terço, e teve de tomar atitudes drásticas: demitiu metade de seus 60 funcionários.

"De outubro para cá, sentimos uma queda, mas em novembro e dezembro ela se acentuou muito", diz Orestes Polisel, diretor de marketing da empresa. "Estamos no mesmo bolo de muitas outras empresas, pois nesse fim de ano o consumo está muito em baixa. Acredito que isso se deve à apreensão das pessoas em relação ao futuro, de como vai ser a política econômica em 2015. Além disso, muitos estão endividados", diz.

Por causa dos cortes, a fábrica, localizada no Alto da Mooca, zona Leste de São Paulo, passou a fazer apenas um em vez de dois turnos. A produção caiu de 3 milhões de frascos por mês no primeiro semestre para 1 milhão. Os estoques foram reduzidos à metade. "Como tivemos uma coleção muito bem sucedida, vamos crescer bem em 2014 apesar de tudo", diz Orestes. "Mas a demanda de dezembro está cerca de 20% menor do que no ano passado e 50% menor do que projetamos."

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