Demitido presidente do fundo de pensão Aerus

O executivo Odilon Junqueira foi demitido hoje do cargo de presidente do fundo de pensão Aerus, o maior credor privado da Varig. O novo presidente será Ricardo Lodi Ribeiro, ex-Procurador da Fazenda Nacional e do Estado de São Paulo. O Aerus vinha se opondo à venda da Varig para a VarigLog e, segundo fontes, estaria havendo divergências entre os presidentes do fundo e da Varig, Marcelo Bottini. Uma fonte que acompanha o processo disse que estas divergências acabaram virando uma espécie "elemento de tensão interna". "Considero que o motivo da minha demissão foi o fato de ter sido contrário a esta negociata de vender por US$ 50 milhões a Varig", disse Junqueira ao Estado ontem, no fim da tarde, citando que a Varig sem dívidas valeria pelo menos US$ 600 milhões. A oferta da VarigLog foi de US$ 350 milhões, mas segundo representantes dos trabalhadores aproximadamente US$ 300 milhões seriam usados em gastos correntes e manutenção da nova empresa que surgiria. De forma geral, contudo, outros credores, como estatais e trabalhadores, haviam criticado a proposta. A proposta depende da aprovação de credores e da Justiça. Segundo Junqueira, dois dos quatro votos favoráveis a sua destituição foram da própria Varig e da VarigLog, ambos patrocinadores do Aerus. Perguntado esta semana se haveria queda de braço com o presidente do Aerus, Bottini negou. Disse, ainda, que como presidente da Varig era membro do conselho do fundo. O ex-presidente do Aerus comentou ainda que teria pesado também a decisão de pedir a antecipação do afastamento do executivo Marcelo Bottini do cargo de gestor interino da recuperação da empresa. Bottini vem acumulando a função com o cargo de presidente executivo da Varig. Proposta A proposta da VarigLog, que é controlada por investidores brasileiros e o fundo americano Matlin Patterson, prevê um forte enxugamento da companhia, com queda dos cerca de 11 mil empregados atuais para apenas 6 mil, redução da frota de 71 (54 deles voando atualmente) para 48 aviões e a criação de uma nova empresa, sem dívidas. A proposta não contempla solução para o pesado endividamento, que ficaria isolado numa outra empresa. Além do fundo de pensão Aerus, sindicatos de trabalhadores rejeitaram o projeto. A presidente do Sindicato Nacional dos Aeroviários, Selma Balbino acredita que os cortes podem ser ainda maiores. Ela disse que a proposta prevê a criação de uma nova empresa com apenas 4,9 mil empregados. Segundo os aeroviários, restariam na empresa 770 pilotos, 1,85 mil comissários e 2,25 mil empregados em terra. Na Varig, já há vários programas de desligamento incentivados, não quantificados ainda.

Agencia Estado,

07 Abril 2006 | 18h44

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