Coluna

Fabrizio Gueratto: como o investidor pode recuperar suas perdas no IRB Brasil

Demitidos questionam causa real da dispensa

Durante 15 anos, Maria do Socorro Macedo Martins trabalhou como passadeira de roupas em uma confecção na Vila Maria, zona norte de São Paulo. Ontem, ela engrossava as estatísticas do IBGE e a fila de requerentes do seguro-desemprego no posto de atendimento do Ministério do Trabalho, no centro da Capital."Estou dando entrada na documentação para sacar o seguro-desemprego. Vou ter direito a cinco parcelas de R$ 699", disse, confiante de que o dinheiro vai ajudar a equilibrar as finanças da casa. Seu marido perdeu o emprego em uma gráfica em dezembro e hoje são os dois filhos, de 22 e 26 anos, que arcam com as despesas da casa. "O dinheiro do seguro é um terço do que eu ganhava, mas na atual situação vai ajudar muito."Para demitir a ex-funcionária, a empresa de confecção alegou que estava sofrendo os efeitos da crise. "Eles também não me pagaram a rescisão do contrato nem depositaram cinco anos de FGTS. Entrei na Justiça", conta Maria. Agora, ela e o marido estão em busca de uma nova ocupação, mas só têm encontrado "bicos" e propostas de emprego com baixa remuneração. A atendente de telemarketing Rosa Aparecida dos Santos, demitida de um call center no mês passado, perdeu a esperança por um salário melhor. "Existe emprego em telemarketing, mas os salários estão muito ruins", lamenta. O motivo da demissão, diz, foi redução nos custos. Com as quatro parcelas de R$ 465 do seguro-desemprego, Rosa pretende ganhar tempo até encontrar outra ocupação. Alguns trabalhadores que perderam o emprego duvidam que a crise seja a causa real dos cortes. "Sinto que as empresas estão usando a crise como pretexto para demitir e contratar outro funcionário por um salário menor", afirma Vitor Cunha Criscuolo, demitido de uma empresa de pesquisa de mercado, que segundo ele, "faz cortes em doses homeopáticas."

Andrea Vialli, SÃO PAULO, O Estadao de S.Paulo

27 de março de 2009 | 00h00

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