Demitir em massa será uma 'jogada de alto risco'

Cenário: Cleide Silva

O Estado de S.Paulo

25 de julho de 2012 | 03h10

Analistas ouvidos ontem afirmam que será uma "jogada de alto risco" a GM optar por uma demissão em massa. A alternativa seria um programa de voluntariado, mas essa ferramenta já foi adotada nas últimas semanas e obteve só 356 adesões.

O problema, na visão dos analistas, não seria uma quebra de acordo com o governo, que reduziu o IPI em troca de manutenção de nível de emprego. Esse tipo de acerto, desde a época das câmaras setoriais, prevê a manutenção do total de número de vagas, sem discriminar fábricas. Ou seja, é aceito que uma fábrica corte vagas, desde que abra igual número em outra. A GM afirma que tem feito isso, pois está contratando nas unidades de São Caetano do Sul (SP), Gravataí (RS) e em Joinville (SC), onde vai inaugurar uma nova fábrica de motores no fim do ano.

A maior dificuldade seria, de fato, enfrentar o Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos, tido como radical no meio sindical. Não aceitar, por exemplo, acordo de bancos de horas (que permite flexibilidade na jornada de trabalho de acordo com a demanda do mercado) é visto como impensável no atual cenário. É um acerto mantido em todas as demais montadoras e já se espalhou para outros setores industriais.

A maior dificuldade em se encontrar uma saída para o problema é que, nos últimos quatro anos, todos os novos projetos aprovados pela GM - que cumpre plano de investimento de R$ 5 bilhões entre 2008 e 2012 - foram destinados para as outras fábricas do grupo, onde, segundo a empresa, houve negociação com os trabalhadores. O último investimento em São José foi em 2008, para a produção da nova S10, resultante de um longo processo de negociação que envolveu autoridades locais e até mesmo a intervenção do bispo da cidade. A fábrica também produz motores, peças e veículos desmontados para exportação (CKD).

A fábrica que pode ser desativada produz carros que, seguindo leis do mercado e da competitividade, sairão de linha por serem antiquados. A Zafira deixou de ser feita na semana passada. A Meriva tem os dias contados. O substituto de ambas, o Spin, começou a ser feito em São Caetano em junho. O Corsa será substituído no início de 2013 pelo projeto Ônix, que ficará em Gravataí. O Classic, mesmo que ganhe sobrevida, pode não ser suficiente para manter uma fábrica.

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