Denise diz que dossiê pretendia pressioná-la psicologicamente

Para ex-diretora da Anac, que depõe no Senado, dados reunidos contra ela tinham o intuito de mantê-la calada

Fabio Graner e Isabel Sobral, da Agência Estado,

11 de junho de 2008 | 13h35

A ex-diretora da Anac Denise Abreu afirmou nesta quarta-feira, 11, que o dossiê com supostas informações de operações bancárias dela no exterior era claramente falso e tinha por objetivo "fazer pressão psicológica" com o intuito de mantê-la calada. Veja também:Denise destaca rapidez incomum na certificação da nova Varig 'Governo arquitetou a saída dos diretores da Anac', diz DeniseTurbulências da Varig   Ela presta depoimento à Comissão de infra-estrutura do Senado sobre as denúncias de que a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, favoreceu o fundo americano Matlin Patterson e seus sócios brasileiros na venda da Varig foram feitas em entrevista exclusiva ao Estado, em 4 de junho (leia aqui).    Denise disse que ao receber o dossiê, datado de agosto de 2007, mês em que renunciou ao cargo, contatou seu advogado que levou-o à Polícia Federal de São Paulo. Segundo ela, a PF alegou que, como ela não era mais autoridade federal, o assunto teria de ser conduzido pela Polícia Civil. Esta, por sua vez, disse que o assunto envolvia lavagem de dinheiro e, por isso, devolveu o caso à PF. De acordo com a ex-diretora da Anac, a PF abriu inquérito e decretou sigilo, impedindo até seu advogado de ter acesso ao caso. No dossiê, há documentos - segundo Denise Abreu, falsificações grosseiras - que atribuem à ex-diretora da Anac a propriedade de contas no exterior, inclusive com dados de transferência de valores. No momento de maior ênfase ao tratar do assunto, Denise se dirigiu ao senador Romero Jucá (PMDB-RR), que havia lhe questionado sobre o assunto, e afirmou: "Senador, o senhor me conhece minimamente, e mais do que muitos aqui presentes. Jamais tive contas internacionais, jamais fiz operações de remessas de dinheiro. Evidentemente, isso foi instrumento de pressão psicológica que visava a me calar". Denise disse que não declarou em nenhum momento que a secretária-executiva da Casa Civil, Erenice Guerra, teria feito esse dossiê, mesmo porque, segundo a ex-diretora, o material é inglês e "ela (Erenice) não sabe nem o básico".  (com Agência Senado)

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