Clayton de Souza/AE-8/10/2010
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Denise Johnson deixa a GM, após oito meses no País

Primeira mulher a presidir uma montadora no Brasil, executiva americana anuncia saída da empresa alegando ''motivos pessoais''

Cleide Silva, O Estado de S.Paulo

23 de fevereiro de 2011 | 00h00

Quase oito meses após assumir o comando da General Motors, a americana Denise Johnson, primeira mulher a presidir uma montadora no Brasil, deixou o posto e a companhia. Nota divulgada ontem pela montadora informa apenas que as razões da saída são de ordem pessoal e que ela vai "em busca de novas oportunidades de carreira".

Denise tem 44 anos e estava há 21 na GM, seu primeiro emprego após formar-se em engenharia mecânica. A passagem pelo Brasil prometia voos mais altos, a exemplo do que ocorreu com antecessores como Rick Wagoner e Fritz Henderson, que chegaram ao topo do comando da matriz, nos Estados Unidos.

A executiva, que está nos EUA, assumiu a subsidiária em substituição a Jaime Ardila, que passou a comandar as operações da América do Sul. Com sua saída, decidida na segunda-feira, Ardila volta ao cargo interinamente.

Consultadas ontem, várias pessoas que tinham contato com Denise afirmam ter se surpreendido com a notícia. Alguns comentários apontam para problemas de adequação. Segundo declarações, ela não era uma executiva ativa, que participava das discussões de projetos e raramente ia a eventos corporativos informais. Ou seja, não teria se adaptado ao ambiente de executivos, concessionários e fornecedores acostumados a brincadeiras nem sempre agradáveis.

Denise veio para o Brasil sozinha, deixando nos EUA o marido - com quem se casou aos 19 anos - e três filhas adultas. Em conversas informais com jornalistas, dizia que a família conseguia lidar com isso e que permaneceria no País cerca de três anos. Ela tinha aulas de português diariamente.

Outros, porém, afirmam que ela estaria tendo problemas com a "velha guarda da GM brasileira", que resistia em aceitar mudanças, principalmente em relação à qualidade dos veículos da marca. Também há a hipótese de desentendimentos com a direção global, que estaria cobrando aumento na remessa de lucros num momento em que a filial precisa investir localmente.

Formada também em administração de empresas, Denise assumiu a terceira maior operação da GM (depois da China e EUA) com a missão de concluir o processo de renovação de toda a linha de produtos no País, parte de um programa de investimento de R$ 5 bilhões até 2013.

A marca prometeu lançar nove carros inéditos até 2013, alguns desenvolvidos exclusivamente para o mercado brasileiro e pelo menos um com potencial de ser fabricado em outros países, o chamado carro global.

Relação conflituosa. Denise ocupou diversos cargos na GM americana. Antes de vir para o Brasil, era vice-presidente de Relações Trabalhistas. Durante a crise que quase levou a companhia à falência, em 2008, foi responsável pelas negociações que resultaram na demissão de milhares de trabalhadores, fechamento de fábricas e corte de benefícios. No Brasil, ela tinha planos de se aproximar das lideranças do Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos, ligado à ala esquerdista do movimento sindical. A relação entre as partes sempre foi conflituosa, e a GM ameaçou suspender investimentos na cidade. O grupo também produz automóveis em São Caetano (SP) e Gravataí (RS).

"Eu quero me aproximar deles, entender o que querem", disse Denise em janeiro, enquanto dirigia o carro elétrico Volt pelas ruas de Detroit. Ressaltou que, em 2010, a GM foi a primeira a fechar acordo de reajuste salarial com os metalúrgicos, dando 9% de reajuste, índice que balizou as negociações das demais montadoras. "Este ano teremos de fazer um acordo que não coloque em risco nossa competitividade." / COLABOROU MARILI RIBEIRO

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