Denúncia do Brasil divide membros da OMC

A disputa lançada pelo Brasil contra o regime do açúcar na Europa começa a dividir os membros da Organização Mundial do Comércio (OMC). Enquanto os países da África que produzem açúcar já declararam que irão apoiar a denúncia do Itamaraty, países como a Índia, Fiji, Ilhas Maurício e Suazilândia já deram sinais à Bruxelas de que vão defender os europeus. O motivo é simples: o Brasil questiona a preferência que a UE dá a cerca de 15 países em suas exportações de açúcar para o mercado europeu. Temendo o fim dos benefícios, esses países começam a se movimentar para defender o atual regime. "Estamos ainda na fase de consultas, mas está claro que um grupo de mais de dez países apoiará a UE", afirmou um diplomata europeu. Bruxelas concede os benefícios a esses países como forma, segundo eles, de incentivar o desenvolvimento dessas economias. "O Brasil, ao questionar a Europa, está afetando políticas de desenvolvimento em outros países", afirmou um membro do corpo de negociadores da UE. Mas na avaliação do Brasil, ao dar preferência a esses países, o açúcar exportado pelo País acaba sendo prejudicado. Além disso, o regime é discriminatório. "Não queremos afetar o desenvolvimento de ninguém. Apenas não queremos ser discriminados", afirma um negociador brasileiro. Não é a primeira vez que o Brasil acusa os europeus de estarem discriminado os produtos do País em favor das exportações de países pobres. Há dois anos, o Brasil questionou na OMC a iniciativa da UE de beneficiar o café colombiano como forma de ajudar no combate à produção de coca no país. Enquanto os colombianos contavam com livre acesso ao mercado europeu, os brasileiros eram obrigados a pagar uma taxa de 9%. O tema acabou sendo solucionado de forma pacífica e o Brasil recebeu o direito de exportar o produto dentro de uma determinada quota. No caso do açúcar, especialistas apontam que essa também poderá ser a solução.

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