Denúncias contra tucanos fazem risco Brasil disparar

O mercado financeiro, que já vem de uma semana difícil devido aos rebaixamentos da dívida brasileira pelos bancos, voltou a abrir pressionado hoje em reação às denúncias publicadas pela revista Veja. A denúncia de propina na privatização da Vale do Rio Doce e as notícias envolvendo eventuais irregularidades no financiamento de campanha de José Serra em 1994 estão tendo impacto sobre o risco Brasil medido pelo índice EMBI, do JP Morgan. Hoje, esse índice apontava um risco de 902 pontos base, o mais elevado deste ano. Na sexta-feira, o EMBI fechou em 885 pontos base.Bolsa e bradies caem mais de 1%. O dólar sobe mais de 1% (R$ 2,432, às 15h01) e os juros projetados pelos futuros estão em alta, apesar do IPC-Fipe baixo (0,06%) divulgado hoje e da queda do petróleo. Segundo a reportagem de capa da revista Veja desta semana, dois tucanos, Paulo Renato, que continua ministro da Educação, e Luiz Carlos Mendonça de Barros, ex-ministro das Comunicações e ex-presidente do BNDES relataram conversa com o empresário Benjamin Steinbruch, que disse ter recebido de Ricardo Sérgio pedido de comissão de R$ 15 mil na época do leilão da Vale, em 1997. Informaram ainda ter informado o presidente FHC, que negou ter conhecimento do fato. Outra denúncia da revista foi de que o empresário Carlos Jereissati, irmão do governador Ceará, Tasso Jereissati, teria ajudado a campanha ao Senado de Serra em 94 com R$ 2 milhões, dos quais apenas R$ 95 mil teriam sido declarados. Serra classificou a denúncia como ?leviandade?. No mercado, há dúvidas sobre se as denúncias terão fundamento jurídico para complicar o governo ou o candidato tucano. Porém, todos parecem concordar que os fatos surgem numa péssima hora para Serra, que, justamente hoje à noite, tentaria sair da estagnaçãonas pesquisas com novos programas no rádio e TV.

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