DEPARDIEU ACEITARIA PASSAPORTE DO BRASIL

Ator francês disse ser um 'cidadão do mundo'

JAMIL CHADE, CORRESPONDENTE / ZURIQUE, O Estado de S.Paulo

09 de janeiro de 2013 | 02h02

Se o governo brasileiro quiser oferecer um passaporte nacional ao ator francês Gérard Depardieu, ele garante que aceitará de braços abertos. Isso foi o que declarou o próprio ator, centro de uma polêmica na França diante de sua decisão de se tornar cidadão russo por conta dos impostos sobre grandes fortunas em seu país de origem.

"Claro que eu aceitaria (um passaporte brasileiro)", disse ao Estado. "Sou um cidadão do mundo. Se o Brasil um dia quiser me dar um passaporte, obviamente aceitarei", declarou, abrindo os braços com um amplo sorriso.

Apaixonado por futebol, Depardieu foi o convidado de honra do presidente da Fifa, Joseph Blatter, para a festa dos melhores jogadores do mundo, na segunda-feira, em Zurique. Ganhou lugar na primeira fila, ao lado dos astros da bola.

Sobre ser um cidadão do mundo, Depardieu declarou ao canal Equipe 21: "Eu tenho um passaporte russo, mas sou francês e ainda terei dupla nacionalidade belga". O ator tem recebido duras críticas da imprensa francesa depois de ter aceitado a cidadania russa por motivos financeiros. Um dos projetos do governo do presidente François Hollande é o de criar impostos de até 75% sobre as grandes fortunas na França, uma medida que afetaria cerca de 2 mil pessoas.

Na Fifa, Depardieu garantiu que esse não é o motivo de seu passaporte na Rússia, onde pagaria apenas 11% - uma taxa bem inferior aos impostos que certamente pagaria no Brasil. "Se eu quisesse fugir do Fisco, teria feito isso há anos. Há gente que fez isso há 20 anos, como Charles Aznavour, Alan Delon", atacou.

No frio polar de Zurique, Depardieu chegou à festa de gala da Fifa de camisa semiaberta, óculos na cabeça e esbanjando bom humor.

Mas se o mundo se curvou diante de Lionel Messi, vencedor da noite, o ator franco-russo declarou que teria preferido uma vitória de Cristiano Ronaldo. "Parece que seu orgulho está um pouco afetado, já que há muito não é recompensado. Chegou o momento de lhe darem confiança", disse. "Eu daria a Cristiano o troféu, já que ele está um pouco fragilizado, como podem estar às vezes os grandes campeões", completou.

Ontem, o ator não compareceu a uma audiência num tribunal na França, em um processo que responde por ter sido pego dirigindo embriagado. Depardieu, o "cidadão do mundo", já estava em Montenegro, onde foi recebido pelo primeiro-ministro Milo Djukanovic.

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