Depois da crise, evento marca a retomada do setor aéreo

PARIS

Andrei Netto, O Estado de S.Paulo

21 de junho de 2011 | 00h00

Realizado em 2009, o último Salão de Bourget foi definido por especialistas do mercado de aviação civil como "a feira da crise", em razão da turbulência econômica provocada pela quebra do banco Lehman Brothers. Em 2011, o Paris Air Show tornou-se uma boa síntese da retomada do setor em todo o mundo. Mais de 200 aviões já foram vendidos no primeiro dia de mostra, segundo os fabricantes. Não há espaço na área da mostra para exposição de todas as aeronaves.

A crise de 2009 era causada pela ameaça de recessão prolongada. Naquele ano, a perspectiva era de queda de 8% do número de passageiros transportados e de 17% do volume de cargas, segundo pesquisas.

Ameaçadas de fechar seus balanços no vermelho, companhias aéreas de todo o mundo cancelavam pedidos, em compasso de espera. Entre os construtores, como Boeing e Airbus, o momento também era de moderação. Enquanto a americana amargava atrasos nos voos de demonstração do 787 Dreamliner, a europeia postergava a apresentação do cargueiro A400M.

Em 2011 o cenário é muito diferente. A Airbus apresentou o A320neo, que ajudou a catapultar o número de vendas da construtora: 142 no primeiro dia de feira, ou US$ 15 bilhões em negócios. Já a Boeing traz ao salão não apenas o Dreamliner, mas também a nova versão alongada (76,5 metros) do 747, o 747-8, vedete em Paris. Dois clientes, cujos nomes não foram revelados, já formalizaram pedidos de 17 dessas aeronaves, em contratos que somam US$ 5,4 bilhões. No total, a Boeing anunciou a venda de 40 aviões, dos quais seis 777-300 ER, para a Qatar Airways. Segundo a Embraer, o mercado é promissor para aeronaves de pequeno e médio porte, entre 30 e 120 lugares.

Nos próximos 20 anos, segundo cálculos do fabricante brasileiro, a demanda mundial pode chegar a 7,3 mil aviões, ou US$ 320 bilhões.

Parte dessa euforia se deve ao aquecimento do mercado chinês. Só na China, o setor aeronáutico deve apresentar crescimento de 7,5%, pouco superior ao índice da América Latina, 7,2%.

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