Depois da energia, gás pode ficar mais barato

'O mesmo esforço da energia será usado para reduzir o preço do gás', disse Pimentel

ANDREI NETO / PARIS, RENÉE PEREIRA / SÃO PAULO, O Estado de S.Paulo

13 de dezembro de 2012 | 02h02

Depois da redução do custo da energia elétrica em 20%, em média, o governo de Dilma Rousseff anunciou ontem, em Paris, a disposição de reduzir o preço do gás natural. A intenção foi revelada em declaração feita no discurso do ministro do Desenvolvimento, Fernando Pimentel, a grandes empresários da França. Minutos depois, foi abordada em outro local de Paris pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega.

O objetivo da medida é o mesmo da redução da energia: melhorar a competitividade do Brasil. Este tema foi recorrente em todos os discursos de Dilma nos dois dias de visita à França. Na manhã de ontem, Pimentel comentou o sucesso dos Estados Unidos na exploração do gás de xisto, que reduziu o patamar do preço do insumo e diminuiu o custo da produção industrial.

Pimentel lembrou que o governo anunciou a redução do preço da eletricidade e disse que pode seguir no mesmo caminho no gás. "O mesmo esforço da energia será usado para reduzir o preço do gás." O ministro reconheceu que a iniciativa exigiria ajustes na produção. "Isso exigirá medidas na Petrobrás. Mas será feito. O próximo passo nessa direção já está sendo planejado."

Em outra região de Paris, durante participação em um seminário coorganizado pelo Instituto Lula, Mantega foi na mesma linha, confirmando que o governo pretende replicar para o gás a iniciativa tomada no setor elétrico. "Não temos solução para isso, mas temos de reduzir o custo do gás de alguma maneira."

Em suas intervenções, a presidente Dilma enfatizou a preocupação em ampliar a competitividade da indústria. Uma medida sempre assinalada é a redução do preço da energia, mas a presidente não falou sobre o gás.

Propostas. A discussão sobre o elevado custo do gás tem sido motivo de campanha da indústria nacional, para quem o preço no Brasil está entre os maiores do mundo e sufoca as empresas.

A Associação Brasileira de Grandes Consumidores Industriais de Energia e de Consumidores Livres (Abrace) já apresentou ao Ministério de Minas e Energia, Ministério de Desenvolvimento e agências reguladoras ampla proposta de uma nova política nacional para o gás. O próximo a conhecer o material é o Ministério da Fazenda.

Pelas contas da associação, o preço cobrado hoje da indústria teria de cair 50% para devolver a competitividade às empresas brasileiras - de US$ 14 o milhão de BTU (Unidade Térmica Britânica) para US$ 6 ou US$ 7. Ainda assim, o investimento feito seria remunerado. "Não há uma solução mágica. Mas diversificar e expandir a oferta de gás é uma medida que precisa ser tomada", disse o coordenador de energia térmica da Abrace, Ricardo Pinto.

Hoje a Petrobrás é a principal produtora de gás do Brasil. Ela está em toda a cadeia do insumo: produz, transporta, distribui e consome (no caso das termoelétricas). "É preciso ter uma regra que proíba que o produtor de gás seja o mesmo que transporte o produto", diz Lucien Belmonte, da Associação Brasileira de Vidros (Abividros).

O setor industrial também reclama das elevadas margens de lucro das distribuidoras, na casa de 20%, quando a taxa de juros está em 7,25% ao ano. "Se a condição econômica do País mudou, os contratos precisam passar por reequilíbrio econômico", diz Ricardo Pinto.

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