Depois da forte aceleração de preços, investimento em imóvel exige pesquisa

Preços devem subir em ritmo menor em 2013, com reajuste entre 5% e 10%, segundo estimativas do Secovi-SP; neste ano, alta deve ser de 8%

LUIZ GUILHERME GERBELLI, O Estado de S.Paulo

17 de dezembro de 2012 | 02h08

O mercado de imóveis em São Paulo vive a sua terceira fase em dez anos. Depois de registrar até um leve recuo nos preços em alguns locais entre 2002 e 2008, seguido por um forte aumento de 2009 a 2011, o mercado enfrenta uma certa estabilização de preços em 2012, o que também deve ocorrer no próximo ano.

A estimativa do Secovi-SP é que o valor do metro quadrado dos imóveis novos cresça 8% este ano. Para 2013, a alta deve ficar entre 5% e 10%. O menor reajuste deve fazer com que o investidor disposto a aplicar em imóveis redobre a atenção, sobretudo nesse cenário de juros mais baixos em que o leque de opções de investimentos tende a ser ampliado.

Hoje, segundo o Secovi, a quantidade de estoques residenciais novos na cidade de São Paulo está em 17.406 - entre 15 mil e 20 mil é considerado um ponto de equilíbrio. No auge, em 2010, o estoque chegou a baixar para menos de 10 mil.

"Se não acontecer nada de anormal, a gente acredita que o forte aumento que tivemos não só em São Paulo, mas em todo o Brasil, tenha passado", disse o economista-chefe do Secovi, Celso Petrucci, para quem o investimento em imóvel ainda é vantajoso.

O aumento na venda de imóveis foi impulsionado nos últimos anos pela redução da taxa de juros, aumento da massa real de salário e o baixo desemprego. Em outubro, somente para pessoa física, o crédito imobiliário chegou a R$ 263,2 bilhões, segundo o Banco Central (BC). Em janeiro, estava em R$ 205 bilhões. "Até 2005, praticamente não havia mercado de financiamento imobiliário no País. A expansão dos financiamentos contribuiu para que aumentasse a procura", disse Alexandre Chaia, professor de finanças da escola de negócios Insper.

Na avaliação dele, o crescimento no preço será num ritmo mais lento, mas sem o risco de uma queda, sobretudo por causa do déficit habitacional que o País ainda enfrenta. Ele orienta que é mais vantajoso comprar um apartamento ainda na planta. "O investidor acaba conseguindo um preço mais barato porque está, de alguma forma, entrando no risco da construtora."

Riscos. No momento do investimento, o aplicador também deve levar em conta a tributação, seja para venda do imóvel ou para renda com aluguel. Além disso, imóveis têm baixa liquidez (ou seja: é difícil transformá-los rapidamente em dinheiro).

Detalhes podem fazer a diferença na escolha por um investimento imobiliário. É preciso conhecer a área, saber se há projetos de infraestrutura, como a chegada de uma estação de metrô, que possam valorizar a região. Uma alternativa é a consulta ao Plano Diretor - que fixa regras para o desenvolvimento da cidade.

"Um dos segredos é conhecer a área e o mercado imobiliário da região", disse Mauro Calil, educador financeiro. Para ele, a compra de um imóvel como investimento é mais recomendada para quem já tem patrimônio consolidado. Para os que ainda buscam construí-lo, os fundos imobiliários podem ser uma opção melhor.

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