Depois da onda dos SUVs, a vez das picapes

Mercedes-Benz e Hyundai vão estrear nosegmento que será a bola da vez do mercado

Cleide Silva, O Estado de S.Paulo

13 Novembro 2016 | 06h00

Depois dos utilitários-esportivos, veículos que ganham cada vez mais espaço no mercado brasileiro e, por isso, são as estrelas do Salão do Automóvel de São Paulo neste ano, a nova onda no setor automobilístico serão as picapes, especialmente as de médio porte. Muitas, aliás, serão derivadas dos SUVs que estão sendo lançados no evento que ocorre até o próximo domingo.

Um dos sinais dessa tendência que já ocorre em mercados internacionais e deve chegar em breve ao País é a apresentação, no salão, da picape Creta STC, conceito da Hyundai. Baseada no SUV Creta, que a marca começa a produzir em Piracicaba (SP), a STC ainda é um “exercício de design”, mas, futuramente, deve ser a primeira picape da marca coreana.

“É um segmento em que não atuamos, mas tem despertado interesse da marca”, confirma Maurício Jordão, diretor de relação públicas da Hyundai. Segundo ele, a aparição da picape, com a estreia do Creta, servirá para testar a recepção do público ao produto.

Outro alerta de que as picapes vão ganhar terreno globalmente foi o anúncio, no mês passado, da produção da primeira picape Mercedes-Benz. A Classe X, como foi batizada, terá capacidade para cinco passageiros e deve acabar de vez com a imagem de veículo de trabalho desse tipo de veículo.

“Estamos abrindo e transformando o segmento das picapes de médio porte com a primeira picape premium do mundo adequada ao estilo de vida urbano e moderno”, disse, na ocasião, o diretor da Mercedes alemã, Volker Mornhinweg.

Também será o primeiro produto da parceria global entre Mercedes e Renault/Nissan. A Classe X será produzida em 2017 pela Nissan na Espanha e, no ano seguinte, pela Renault na Argentina, de onde virá para o Brasil. Na visão da Mercedes, o mercado de picapes médias está em transformação no mundo. É cada vez mais percebida como veículo versátil para ser usado na vida pessoal e profissional.

Segundo Mornhinweg, “os consumidores, assim como as empresas, procuram cada vez mais veículos com características típicas dos automóveis de passeio, com acabamento mais confortável”. Entre os principais mercados para a Classe X estão Austrália, onde o segmento representa 14,1% das vendas; Argentina (11,6%), Brasil (5%), Turquia (1,4%), Reino Unido (1,3%), Rússia (0,8%) e Alemanha (0,5%).

No Brasil, a chegada da Toro em fevereiro, produzida na fábrica da FCA Fiat Chrysler em Goiana (PR), provocou rápida mudança na lista das picapes mais vendidas no País. O modelo derivado do Jeep Renegade já é o mais vendido entre as picapes médias e grandes, com 31,9 mil unidades até outubro. Se incluir as picapes pequenas, fica atrás apenas da Fiat Strada, com 49,4 mil unidades.

Outra novidade entre picapes médias, a Renault Oroch, também ajudou a reverter preferências. O segmento das pequenas, que vendeu 157,3 mil unidades de janeiro a outubro de 2015, teve queda de 42% neste ano (para 90,9 mil unidades), enquanto o de picapes médias e grandes cresceu 25,5%, de 99,4 mil unidades para 124,8 mil.

Recriação. “O segmento de picapes está sendo recriado”, diz Milad Kalume Neto, da consultoria Jato Dynamics. Assim como os SUVs, as picapes com design diferenciado, tecnologia e conforto trazem maior valor agregado à fabricante e o tíquete médio de venda é bem superior ao de um carro compacto.

Outros destaques do salão são a nova picape Mitsubishi L200, que será produzida no Brasil, a terceira geração da Nissan Frontier, com produção agendada para 2018 na Argentina, e a Volkswagen Amarok reestilizada, também argentina.

Quem perde espaço com o crescimento das SUVs e picapes são os sedãs na faixa de preço de R$ 80 mil a R$ 100 mil. Mesmo com as novas ondas, contudo, os carros compactos continuarão tendo participação relevante no mercado brasileiro, avalia Kalume. “Eles ainda representam 40% das vendas, volume nada desprezível.”

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.