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Depois da turbulência, Grupo Rede começa a respirar

Empresa, comprada pela Energisa, passou por intervenção do governo e saiu da recuperação judicial em setembro

Renée Pereira e Monica Scaramuzzo, O Estado de S.Paulo

23 de outubro de 2016 | 05h00

Os experts do setor elétrico costumam dizer que a família Botelho, dona da elétrica Energisa, gosta de uma boa briga. O caso do problemático Grupo Rede Energia prova que a tese tem um fundo de verdade. Além de desbancar gigantes do setor, como CPFL e Equatorial, a Energisa comprou a empresa no auge de uma grave crise financeira e sob intervenção do governo.

Com uma dívida bilionária e sem dinheiro para cumprir as obrigações do contrato de concessão, a Rede entrou em recuperação judicial – e, como poucas, conseguiu sair desse processo, pronta para um novo ciclo. Foram quase quatro anos de intensas negociações com os credores, corte de custos e alguns bilhões de reais injetados no caixa para dar fôlego novo ao grupo, que detém a concessão de oito distribuidoras no País.

Ao contrário da Eneva, o Grupo Rede “estourou” um pouco o prazo regulamentar de dois anos para a recuperação. “Era para ter sido fechado antes, mas o juiz não conseguiu analisar o processo na data, depois entrou em recesso e, com o aumento das recuperações, acabou saindo só em setembro”, afirmou o vice-presidente financeiro do grupo Energisa, Maurício Botelho.

A chancela do juiz era esperada com ansiedade pela empresa. A decisão ocorreu no dia 2 de setembro, com direito a uma comemoração interna entre os executivos do grupo. A primeira providência, depois de homologar o resultado na Junta Comercial, foi retirar de todos os documentos da Rede Energia a expressão “em recuperação judicial”. A medida foi vista como uma vitória depois de tanto tempo de turbulência.

Durante todo o processo, da compra ao fim da recuperação, centenas de funcionários se debruçaram sobre o caso e esmiuçaram os meandros que levaram à derrocada da família Queiroz na Rede. Só nas diligências feitas nas distribuidoras, foram mais de cem pessoas trabalhando para levantar todos os ativos, passivos e problemas da empresa. Depois outras 30 pessoas, entre funcionários internos e consultores contratados, se concentraram na negociação das dívidas da empresa.

Na holding, que controlava as distribuidoras, o débito era de R$ 2,8 bilhões. No acordo com os credores, R$ 1,4 bilhão foi renegociado com taxas mais baixas, para pagamento em 22 anos. O restante foi adquirido pela Energisa com desconto de 75%. Fora da recuperação, a dívida das distribuidoras somava R$ 3,9 bilhões com bancos, encargos do setor elétrico e impostos parcelados. A renegociação reduziu o endividamento das concessionárias em 39%.

Padrão. Além dos acordos, a Energisa teve de colocar R$ 1,2 bilhão para sanear o caixa do Grupo Rede, que não vinha cumprindo os investimentos exigidos pelo contrato de concessão. “Para nós, a recuperação da empresa começou no dia zero (do processo judicial). Desde então, o objetivo foi trazer para as distribuidoras da Rede o mesmo padrão de qualidade das demais empresas da Energisa”, afirma Botelho.

Para atingir essa meta, a Energisa já investiu R$ 2,5 bilhões em melhorias. Mas também foi beneficiada por um processo tarifário que melhorou o preço da energia cobrada dos consumidores. “O grupo tem a maior área de concessão do País, mas a carga (consumo) é baixa”, afirma o presidente da Thymos Energia, João Carlos Mello. “Por outro lado, essas distribuidoras estão numa área de agronegócio, que hoje é a única coisa que cresce no Brasil.”

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