Tiago Queiroz/Estadão
Tiago Queiroz/Estadão

Depois de 13 dias no cheque especial, compensa pegar empréstimo; veja como sair dessa

O uso do crédito emergencial pode se tornar um hábito que custa caro; reestruturar o orçamento e analisar opções mais baratas de crédito são opções para sair da bola de neve dos juros

Talita Nascimento, O Estado de S.Paulo

09 de setembro de 2019 | 12h00

Seja pela comodidade ou por não entender com precisão o extrato bancário, o brasileiro continua usando o cheque especial. De acordo com dados do Banco Central, o saldo de de operações dessa modalidade de crédito nos 12 meses até julho deste ano subiu 17%, atingindo R$ 185,82 bilhões.

E esse empréstimo ficou ainda mais caro: nos seis primeiros meses de 2019, a alta dos juros para utilizar o dinheiro emergencial foi de 9,6 pontos porcentuais, chegando à taxa média de 322,2% ao ano. Segundo pesquisa realizada pelo aplicativo GuiaBolso, após 13 dias utilizando esse limite bancário já seria melhor substituí-lo por um empréstimo pessoal. 

A conta é simples. De acordo com o levantamento, em julho, os usuários do aplicativo ficaram, em média, com R$ 1.084 de saldo negativo. Caso essa dívida no cheque especial fosse arrastada por 12 meses, seriam R$ 3.478 de juros a pagar.

No empréstimo pessoal com custo efetivo total (todas as taxas incluídas) de 5,8% ao mês - que é a média das opções do mercado, segundo a pesquisa - os juros seriam de R$ 451. Ou seja, nessa troca de dívidas, a economia seria de R$ 3.027 ao ano, aproximadamente.

Essa mudança já seria vantajosa a partir de 13 dias no vermelho qualquer que fosse a quantia devida, mas em média, as pessoas passaram 16 dias do mês contando com esse dinheiro de emergência. A pesquisa foi feita em uma base de 179 mil usuários.

O diretor de produtos e tecnologia do Guiabolso, Julio Duran, explica que quem tem acesso ao cheque especial costuma ter também ofertas melhores de crédito. Para ele, o grande problema é a comodidade de adquirir o dinheiro de emergência de forma automática e sem burocracia.

"As pessoas olham o extrato e veem o 'total disponível'. Elas acham que podem contar com aquela quantia e se esquecem de quanto custa", diz. Em outra pesquisa, o aplicativo constatou que quem faz uso do cheque especial costuma pagar uma quantia parecida de juros por esse empréstimo mensalmente, o que demonstra que o uso do crédito torna-se um hábito.

"Quem faz uso no cheque especial mensalmente e paga uma quantia parecida, porém crescente, de juros mês a mês, já é uma pessoa estruturalmente endividada", diz a diretora da Planejar Angela Nunes. Ela explica que, nesse caso, adquirir um empréstimo não deve ser o primeiro passo. "Reestruturação de dívida é importante, mas não existe sucesso nisso se você não reestruturar o planejamento."

Estou endividado, e agora?

  1. Organizar seu orçamento em uma planilha detalhada com a descrição de todas as despesas e recebimentos, com as respectivas datas de entradas e saídas é o primeiro passo indicado por especialistas em finanças pessoais.
  2. Nesse processo de organização, você pode perceber que o maior problema é a sazonalidade. "Às vezes é uma questão de fluxo de caixa. A pessoa paga os juros do cheque especial simplesmente porque não adequou as datas de vencimentos aos dias de pagamento. Não fez a reserva necessária para os custos de determinada data e conta com o crédito por poucos dias. Esse é o caso menos grave", diz Angela, da Planejar. Nessa situação, programar melhor o calendário de pagamentos já evitaria entrar no vermelho. 
  3. Para profissionais liberais, que têm renda que varia de um mês para o outro, esse problema de fluxo de caixa é comum.  Angela aconselha que seja feita uma reserva constante de custos. “Se seus custos são de R$ 5 mil e você recebe R$ 10 mil em um mês, tem de se preparar para não ficar descoberto no mês seguinte, quando a receita pode ser menor”, explica. Ela diz que balancear o que se recebe pelos gastos dos próximos meses deve ser uma prática constante para quem tem essa realidade.
  4. Uma vez feita a readequação do orçamento, trocar a dívida assumida com o banco até ali é aconselhável. “O crédito consignado, ou qualquer outro que tenha garantias - como o adiantamento da restituição do Imposto de Renda -, podem ser boas opções para reduzir os juros e aumentar a capacidade de pagamento do consumidor”, diz Angela. 

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.