Gabriela Biló/Estadão
Gabriela Biló/Estadão

Dólar encosta em R$ 3,80 e Bolsa fecha em alta de 0,64%

Dólar teve movimento de valorização em todo o mundo e se fortaleceu ante ao real; não houve intervenção do Banco Central no mercado nesta terça-feira

Altamiro Silva Junior e Paula Dias, O Estado de S.Paulo

26 Junho 2018 | 11h50
Atualizado 26 Junho 2018 | 18h47

O dólar fechou o dia em alta de 0,57%, cotado a R$ 3,7981, nível mais alto desde o último dia 14. A moeda americana teve um movimento de valorização mundial,  por conta das discussões comerciais entre os Estados Unidos e a China. Nesta terça, 26, o presidente Donald Trump declarou que não pretende adotar restrições para os investimentos chineses em empresas nos EUA. Já a Bolsa teve a terceira valorização seguida e fechou em alta de 0,64%, aos  71.404,59 pontos .

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O Banco Central resolveu não intervir no mercado de câmbio nesta terça-feira e, após renovar máximas, o dólar bateu em R$ 3,80 perto do fechamento.  Operadores de câmbio ressaltam que a falta de ação do BC hoje no mercado provocou certa ansiedade nas mesas de operação no final da tarde, o que ajudou a pressionar um pouco as cotações, com a expectativa dos agentes pelos próximos passos do BC. Dias sem intervenção no câmbio têm sido raridade nas últimas semanas. O BC tem feito ao menos um leilão de swap extraordinário por dia e, nesta segunda-feira ,25, fez o primeiro leilão de linha desde março, que, dos US$ 3 bilhões ofertados, colocou em US$ 500 milhões no mercado à vista, uma sinalização de fraca demanda por dólar pronto, mas que ajudou a acalmar os investidores.

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"O BC tem tido atuação firme", afirma o operador da Advanced Corretora, Alessandro Faganello. Por isso, ele ressalta que a falta de atuação hoje acaba gerando expectativa entre os agentes do que pode vir pela frente.

O BC só fez durante o dia o tradicional leilão de rolagem de swaps, que movimentou US$ 440 milhões. Nesta quarta, por conta do jogo do Brasil na Copa da Rússia, a expectativa é de volume bem mais fraco de negócios no câmbio, sobretudo na parte da tarde. Na última sexta-feira, com o jogo Brasil e Costa Rica, o giro já foi bem menor que outros dias.

Um diretor de uma gestora destaca que o BC parece confortável com o dólar oscilando no patamar R$ 3,70/R$ 3,80 e poderia anunciar uma intervenção extraordinária caso a moeda supere esse nível. O giro hoje no mercado à vista somou US$ 1,3 bilhão, na média de semanas anteriores. No mercado futuro, até às 17h30, os negócios haviam movimentado US$ 14 bilhões. No mesmo horário, a cotação do dólar para julho estava em R$ 3,7980, com alta de 0,57%.

O dólar abriu a terça-feira em alta, mas passou a cair após a divulgação da ata da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) sinalizar que a taxa básica de juro não deve subir por enquanto. "A ata do Copom reforçou expectativa de manutenção da Selic nas próximas reuniões", destacam os economistas do Bradesco. Essa avaliação provocou queda nos juros futuros e acalmou o dólar, que passou a oscilar perto da estabilidade até o começo da tarde. Em seguida, a moeda norte-americana voltou a subir acompanhando a alta generalizada do dólar hoje no mundo.

Bolsa.  A recuperação das bolsas de Nova York e a alta dos preços do petróleo permitiram ao Índice Bovespa manter o viés positivo pelo terceiro pregão consecutivo. O índice alternou altas e baixas ao longo do dia e terminou a sessão aos 71.404,59 pontos, com ganho de 0,64%, puxado principalmente pelas ações de Petrobrás e Vale. Os negócios continuaram abaixo da média do mês e somaram R$ 8,5 bilhões.

Se a liquidez seguiu reduzida, a volatilidade também manteve-se presente. Entre a mínima e a máxima, ambas registradas pela manhã, o índice oscilou de 70.203 pontos (-1,06%) a 71.622 pontos (+0,94%). Com o resultado de hoje, o indicador acumula alta de 1,08% na semana e queda de 6,97% no mês.

"Ultimamente o Ibovespa vem andando de lado, mantendo-se em um 'range' de 70 mil a 73 mil pontos. O mesmo ocorre com algumas ações, que apesar de amassadas, não conseguem furar um determinado intervalo de oscilação", disse Luiz Roberto Monteiro, operador da mesa institucional da Renascença Corretora.

Para ele, nem mesmo as pesquisas eleitorais devem fazer preço nos próximos dias, uma vez que não se espera mudança significativa no quadro até a definição das candidaturas e o início da campanha eleitoral na TV, em agosto. "As pesquisas, na verdade, começam a ter maior peso nesse período. Até agora, somente serviram para antecipar a volatilidade", disse.

O noticiário doméstico teve poucos destaques, principalmente à tarde, quando a principal expectativa era pela possibilidade de o projeto da cessão onerosa voltar à pauta da Câmara dos Deputados, o que não aconteceu até o final do pregão. No cenário político, o destaque da tarde foi a decisão da Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) de determinar a soltura do ex-ministro José Dirceu, preso da Operação Lava Jato. A notícia foi apenas monitorada.

Mais cedo, a repercussão política ficou em torno da decisão do ministro Edson Fachin de submeter ao plenário do STF um recurso da defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para que o pedido de liberdade do petista seja analisado. O fato de o julgamento provavelmente ocorrer somente em agosto, após o recesso de julho, garantiu tranquilidade ao mercado, uma vez que o prazo para confirmação das candidaturas à Presidência se encerra em 15 de agosto.

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