André Dusek/ Estadão
André Dusek/ Estadão

Depois de alívio com PIB no 2º trimestre, equipe econômica avalia que agosto será o 'fundo do poço'

Segundo o secretário especial de Política Econômica, Adolfo Sachsida, a partir de setembro 'teremos a volta de um crescimento um pouco mais sustentável'

Eduardo Rodrigues, O Estado de S.Paulo

03 de setembro de 2019 | 16h45

BRASÍLIA -  A equipe econômica avalia que agosto deverá ser o “fundo do poço” para a economia em 2019. Após o alívio com o resultado positivo de 0,4% do Produto Interno Bruto (PIB) no segundo trimestre do ano – que evitou a chamada recessão técnica –, o governo já aposta que a atividade só voltará a crescer a partir de setembro.

“Os resultados de julho e agosto da atividade econômica inspiram cuidado. Alguns resultados são bons e outros não são tão bons. Agosto é o fim de um período complicado na economia, agosto é o fundo do poço”, admitiu o secretário especial de Política Econômica do Ministério da Economia, Adolfo Sachsida, na abertura do seminário Reformas para o Crescimento, organizado pela pasta em conjunto com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).

O primeiro grande dado do terceiro trimestre do ano foi divulgado nesta terça-feira, 3, pelo IBGE, com a queda de 0,3% da produção industrial em julho ante junho. O resultado surpreendeu o mercado, que majoritariamente apostava em crescimento no setor.

Para Sachsida, no entanto, a atividade econômica deve reagir a partir deste mês. “A partir de setembro teremos a volta de um crescimento um pouco mais sustentável de longo prazo. Não vai melhorar do dia para a noite, mas vamos sair dessa situação delicada”, acrescentou.

O secretário avaliou ainda que o cenário fiscal inspira muitos cuidados em 2019 e 2020. O secretário também ressaltou que o nível de produtividade da economia brasileira e os riscos advindos do cenário externo também são pontos que podem atrapalhar a retomada do crescimento do País.

No mesmo evento, o subsecretário de Política Macroeconômica do Ministério da Economia, Vladimir Kuhl Teles, avaliou que o País pode ter um crescimento negativo nesta década, devido à piora no direcionamento dos recursos públicos, acelerada pelas políticas de benefícios fiscais e de crédito direcionado desde a metade da década passada.

“As firmas privilegiadas com crédito do BNDES não aumentaram o emprego e o investimento, destruíram seus concorrentes e se tornaram menos eficientes. Foi uma quebra estrutural da economia brasileira. Não se trata apenas de um movimento cíclico”, apontou.

Teles disse ainda que, mesmo com a lenta retomada da economia desde 2017, a produtividade do trabalho no Brasil continuou caindo. O subsecretário também citou o volume de falências e recuperações judiciais nos últimos anos como outro fator que tem puxado a economia para baixo.

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