Adriano Machado/Reuters
Adriano Machado/Reuters

Depois de Bolsonaro dizer que havia 'implodido' o Inmetro, novo presidente do instituto se apresenta

Na apresentação, Oliveira Junior disse que o Inmetro 'é uma instituição de excelência e sinônimo de qualidade'

Vinicius Neder, O Estado de S.Paulo

27 de fevereiro de 2020 | 18h28

RIO - Dias após o presidente Jair Bolsonaro declarar que “implodiu” o Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro), o novo presidente do órgão, coronel Marcos Heleno Guerson de Oliveira Junior, se apresentou formalmente ao corpo funcional na manhã desta quinta-feira, 27. Pouco antes, Oliveira Junior também teve sua primeira reunião presencial com a diretoria do instituto. O encontro foi no campus que reúne os laboratórios do Inmetro, em Duque de Caxias, região metropolitana do Rio.

Na apresentação, Oliveira Junior disse que o Inmetro “é uma instituição de excelência e sinônimo de qualidade”. Afirmou também pretender facilitar a realização de um trabalho responsável e inovador.

“Temos que ter estrutura mais flexível, mas sem perder nosso referencial de qualidade”, afirmou o novo presidente, como registrado pela assessoria de imprensa do Inmetro na conta oficial do órgão no Twitter.

A exoneração da antiga presidente do Inmetro, Angela Flores Furtado no cargo desde o início do governo Bolsonaro, e a nomeação de Oliveira Junior foram publicadas no Diário Oficial da União do dia 17. No sábado de carnaval, o presidente da República comentou a decisão, ao fazer um passeio pelas ruas do Guarujá, no litoral sul de São Paulo, onde passou o feriado.

“Implodi o Inmetro. Implodi. Mandei todo mundo embora”, disse Bolsonaro,  referindo-se ao caso dos taxímetros e da exigência de mudanças de tacógrafos por um modelo digital. “Não temos de atrapalhar a vida dos outros. É facilitar a vida de quem produz. Os novos taxímetros, faça diferente. Os novos tacógrafos, tudo bem. Agora, tirar do pessoal, mandar trocar, não. Vai ter de implodir, cortar a cabeça de todo mundo”, afirmou o presidente.

Apesar da declaração de Bolsonaro, em nota divulgada ainda no sábado de carnaval Oliveira Junior esclareceu que “portarias recentes estão em avaliação pela presidência, assim como a composição da diretoria para a nova gestão”. Antes da apresentação formal desta quinta, o novo presidente do Inmetro havia mantido reuniões por teleconferência com os membros da diretoria, segundo a assessoria de imprensa do Inmetro.

O Sindicato dos Servidores de Metrologia, Normalização e Qualidade (Asmetro-SN) vê com otimismo a chegada de Oliveira Junior ao comando do Inmetro. Em nota, a diretoria executiva do sindicato afirmou que não há comparação entre o novo presidente e presidente anterior, em termos de qualificação profissional.

“Enquanto a presidente se mostrava, do ponto de vista curricular, corroborado pelos atos, hipoqualificada para exercer a presidência de uma instituição pública da envergadura do Inmetro, o atual presidente possui experiências com gestão em tecnologia, regulação de mercado, pesquisa científica e administração pública”, diz a nota.

Segundo o presidente do Asmetro-SN, Sérgio Ballerini, a gestão de Angela Flores Furtado vinha “desmontando” o Inmetro. Furtado teria sido indicada pelo secretário especial de Produtividade, Emprego e Competitividade do Ministério da Economia, Carlos da Costa, a quem o Inmetro está subordinado. A troca de comando não seria sinal de afrouxamento no trabalho de regulamentação e fiscalização da conformidade de pesos e medidas, a cargo do órgão federal, apesar das declarações de Bolsonaro sobre a necessidade de “facilitar a vida de quem produz”.

“Pelo que entendi, a ‘implosão’ foi a troca da administração. Não era um sinal para afrouxar”, disse Ballerini.

A assessoria de imprensa do Inmetro informou que ainda não há decisões sobre as regras para tacógrafos e taxímetros nem sobre a composição da diretoria.

O Estado não conseguiu contato com a ex-presidente.

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