Fabio Motta/Estadão
Fabio Motta/Estadão

Depois de cinco quedas seguidas, dólar volta a fechar em alta

Sem impacto da reforma da Previdência no mercado local, a moeda americana fechou em alta de 0,48%, a R$ 3,7563

Altamiro Silva Junior e Simone Cavalcanti, O Estado de S.Paulo

15 de julho de 2019 | 18h13
Atualizado 15 de julho de 2019 | 18h42

Sem a influência da reforma da Previdência, como na semana passada, quando o texto-base foi votado em primeiro turno na Câmara, o mercado financeiro no País sofreu os efeitos do movimento do cenário internacional nesta segunda-feira, 15.

O dólar voltou a subir nesta segunda-feira, 15, após cair nos últimos cinco pregões, fechando em alta de 0,48%, a R$ 3,7563. Operadores destacam que o movimento foi um ajuste, sobretudo após o real ser a moeda que mais se valorizou no mercado internacional na semana passada, considerando uma cesta de 35 divisas. Nesta segunda-feira, com a agenda doméstica fraca, o mercado local acompanhou o fortalecimento do dólar no exterior, ante moedas de países desenvolvidos e alguns emergentes.

No mercado de ações, a Bolsa fechou em queda de 0,10%, aos 103.802,69 pontos. O volume financeiro foi baixo em relação à média, de R$ 13,2 bilhões.

Mercado aguarda Previdência

"Na falta de notícias internas, o mercado acompanhou o exterior", afirma o gerente de tesouraria do Travelex Bank, Felipe Pellegrini. Apesar da alta, ele ressalta que a tendência do dólar ainda é de queda e a moeda pode cair abaixo de R$ 3,70 se houver noticiário positivo, sobretudo sobre a Previdência, como a reinclusão de Estados e municípios no texto.

Sem um condutor no plano doméstico, o Ibovespa iniciou a segunda quinzena do mês à deriva. Nesse cenário, houve espaço para os investidores realizarem ganhos e também para mais compras, o que levou o índice à vista, pontualmente, para o nível dos 104,5 mil pontos na máxima do dia. Mas, na maior parte do pregão, o indicador se conteve ao redor da estabilidade.

Para Marco Tulli Siqueira, gestor de renda variável  da Coinvalores, com o recesso dos parlamentares, que oficialmente tem início dia 18, as oscilações do mercado acionário doméstico vão estar mais ligadas ao movimento dos índices das bolsas no exterior, principalmente em Nova York.

Álvaro Bandeira, economista-chefe do banco digital Modalmais, também diz acreditar que o recesso parlamentar pode trazer menor volatilidade aos mercados. "Mas é certo que as pressões sobre a reforma da Previdência vão continuar", afirmou em relatório.

As ações ordinárias da Vale se destacaram em alta na sessão, encerrando com ganhos de 1,70%. Também no terreno positivo, as Units do Santander subiram 0,50%. Já Banco do Brasil ON, Itaú Unibanco PN e Bradesco PN tiveram queda de 0,60%, 0,27% e 0,42%, respectivamente.

Discussão só será retomada em agosto

A Previdência só volta à pauta do Congresso no dia 6 agosto, após o recesso parlamentar, quando deve começar a ser votada em segundo turno. A expectativa do presidente da Câmara, Rodrigo Maia, é que a proposta seja encaminhada ao Senado no dia 9 do mês que vem. 

A presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, Simone Tebet (MDB-MS), disse achar "confortável" que os senadores avaliem a reforma em um prazo de 60 dias e não espera muita desidratação do impacto fiscal na tramitação.

Prévia do PIB tem resultado acima do esperado

O índice de Atividade do Banco Central (IBC-Br), considerado a prévia do PIB, avançou 0,54% em maio em relação a abril, acima da mediana das estimativas (0,50%) dos economistas ouvidos pelo Projeções Broadcast, mas não alterou a percepção de risco sobre a recessão no País no primeiro semestre nem as apostas de que o ciclo de queda da Selic começa já no Copom de julho. 

No Boletim Focus, do BC, a perspectiva para a expansão do PIB no Brasil este ano piorou, de 0,82% para 0,81%. A estimativa para a Selic, a taxa básica de juros, no fim deste ano é de 5,50%, o que pressupõe redução de 1 ponto porcentual em relação à taxa atual. 

Corte de juros nos EUA

Os estrategistas do banco dinamarquês Danske Bank também veem o real ganhando força nos próximos meses. A tendência é que a moeda americana recue para a casa dos R$ 3,64 nos próximos três meses e R$ 3,50 nos próximos 12 meses.

A avaliação do Danske é que o dólar deve se enfraquecer também na economia mundial, por conta da expectativa crescente de cortes de juros pelo Federal Reserve (Fed, o banco central americano). "Os recentes comentários do Fed nos convenceram ainda mais de que os cortes de juros vão começar a partir deste mês", ressaltam em relatório nesta segunda-feira. Outro fator que deve contribuir para manter a moeda americana enfraquecida é a trégua comercial acertada entre Estados Unidos e Pequim. 

No exterior, o dólar subiu em meio a indicadores econômicos fracos da China, que teve o menor nível de crescimento em 27 anos, pela cautela com o início de divulgação dos balanços corporativos nos Estados Unidos e também por uma recuperação das quedas da semana passada.

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