Depois de demonstrar insatisfação, BC volta a intervir no dólar

As atuações do governo foram insuficientes para derrubar a cotação; recuo só veio com nova medida de estímulo do Fed

EDUARDO CUCOLO / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

13 de dezembro de 2012 | 02h07

Depois de afirmar publicamente sua insatisfação com a cotação do dólar, o Banco Central voltou ontem a intervir no mercado de câmbio. As declarações e atuações do governo, no entanto, não foram suficientes para derrubar o preço da moeda, que só recuou ontem depois de o Federal Reserve - o banco central dos Estados Unidos - anunciar que vai injetar mais dólares na economia. A moeda fechou o dia em queda de 0,29%, vendida a R$ 2,0740.

Logo no começo da manhã, o BC fez dois leilões de venda de moeda estrangeira, com a oferta de US$ 1,5 bilhão. Nessas operações, a instituição vendeu dólares com o compromisso de recomprar a moeda em janeiro e fevereiro do próximo ano. Esse tipo de leilão tem como objetivo suprir temporariamente a falta de dólares no mercado brasileiro.

Um fator que contribuiu para a alta da moeda ontem foi a divulgação de novos dados sobre o movimento de câmbio no País. Na semana passada, a saída de dólares superou a entrada em US$ 1,35 bilhão, segundo o BC. O resultado negativo foi puxado, principalmente, pelas operações de comércio exterior. Nesse período, o pagamento de importações superou a entrada de dólares para os exportadores em US$ 1,24 bilhão. Nas operações financeiras, que incluem remessas de lucros e investimentos estrangeiros, a saída superou a entrada em pouco mais de US$ 100 milhões.

Outra notícia que influenciou o câmbio foi a informação de que o BC vendeu apenas US$ 61 milhões no leilão da semana passada. Foi a primeira venda de dólares das reservas desde abril de 2009. A instituição ofereceu US$ 5 bilhões, mas recusou a maioria das propostas, por causa da cotação exigida pelo mercado.

Gordura. Na segunda-feira, o diretor de Política Monetária do BC, Aldo Mendes, disse que há uma "gordura" na taxa de câmbio. No dia seguinte, o presidente da instituição, Alexandre Tombini, afirmou que valorização do dólar pode não trazer os benefícios esperados pelas empresas brasileiras se for acompanhada de um avanço da inflação. O BC avalia também que a falta de recursos externos no mercado neste fim de ano, que pressiona as cotações, é temporária, e a tendência deve mudar em janeiro.

O impacto do câmbio nos preços - produtos importados ficam mais caros - está entre os fatores que levaram o governo a mudar o discurso e a linha de atuação em relação ao dólar este mês. Além das intervenções, foram revistas duas medidas cambiais, dessa vez para tentar estimular a entrada de moeda estrangeira no País.

Para o gerente da Caixa Geral de Depósitos (CGD) Investimentos, Jayro Rezende, o dólar continuou no patamar de R$ 2,08, mesmo após os leilões, porque a demanda pela moeda americana se mantém aquecida. O economista Sidnei Nehme, da corretora NGO, sugere que o BC faça novos leilões de dólares e de contratos de câmbio para suprir a necessidade atual de recursos. / COLABOROU SILVANA ROCHA

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