Clayton de Souza/Estadão
Clayton de Souza/Estadão

Depois de dez dias, greve dos bancários continua sem avanço

Segundo sindicato, adesão cresceu quase 90% desde a deflagração da greve no dia 6 deste mês; nesta quinta-feira, 11.818 agências e 44 centros administrativos fecharam em apoio ao movimento

Caio Spechoto, Especial para O Estado de S. Paulo

15 de outubro de 2015 | 21h26

Funcionários de mais da metade das agências bancárias do Brasil aderiram à greve da categoria, que nesta quinta-feira, 15, chegou ao décimo dia ainda sem grandes avanços nas negociações entre patrões e empregados. Os trabalhadores, entre outras reivindicações, exigem uma reposição da inflação mais um aumento real de 5,6%, o que totalizaria 16% de reajuste. A Federação Brasileira de Bancos (Febraban), em nota oficial, afirma que aguarda nova proposta dos bancários.

Segundo os números divulgados pela Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf), os locais de trabalho onde os funcionários aderiram à greve cresceu quase 90% entre a deflagração do movimento no dia 6 deste mês e quinta-feira. São 44 centros administrativos e 11.818 agências - o número total de agências no Brasil é de 22 975, de acordo com o registro do Banco Central. O número havia ficado praticamente estável entre terça-feira e quarta-feira, e voltou a subir, ainda que em ritmo menor que no começo da paralisação. 

Na avaliação do presidente da Contraf, Roberto von der Osten, isso não significa que o movimento esteja batendo em seu teto de adesão. Segundo ele, existe mobilização em entidades que não são ligadas à Contraf e ainda não entraram na contagem.

O dirigente afirma que a categoria está indignada com a proposta dos bancos, que, nas contas do trabalhadores, traria perdas salariais da ordem de 4,15% até o final de agosto do ano que vem, já que a data base da categoria é 1 de setembro. "Toda a sociedade está sendo penalizada porque os banqueiros resolveram diminuir o nosso salário", diz.

 

Osten é categórico ao falar sobre a negociação. "Se tem uma coisa fácil de resolver é essa campanha. Os bancos nunca tiveram tanto dinheiro". Ele diz que o grande problema é que havia um modelo de negociação que estava sendo usado desde 2004. Sempre havia reposição da inflação e garantia algum aumento real, e assim a categoria conseguiu  ganhos de 20,7% nesses anos, descontando a desvalorização da moeda. A mudança teria deixado os bancários indignados. 

Ele não quis fazer uma previsão sobre a duração da paralisação, mas garantiu que a categoria quer negociar.

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