Gabriela Biló/Estadão
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Após corte na Selic, dólar sobe 1,44%

Indicação de novas reduções levou estrangeiros a buscarem melhor remuneração em outros emergentes; moeda fechou cotada a R$ 4,16

Renée Pereira, Antonio Perez e Altamiro Silva Junior, O Estado de S.Paulo

19 de setembro de 2019 | 21h51

Um dia depois de o Comitê de Política Monetária (Copom) reduzir os juros para o menor patamar da história, 5,5% ao ano, o dólar encerrou o dia em forte alta, de 1,44%, cotado a R$ 4,16. O comunicado do Banco Central indicando novos cortes até o fim do ano provocou uma fuga de capital estrangeiro em busca de melhor remuneração. 

Como o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) também reduziu suas taxas, mas numa proporção menor, a diferença entre o juro real brasileiro e o americano diminuiu, explica o estrategista-chefe da RB Investimentos, Daniel Linger. “Antes do corte de ontem (quarta-feira), a taxa real do Brasil estava em 2,5% e a dos Estados Unidos, 0,6%. Com a previsão de novas reduções, essa diferença tende a cair ainda mais”, diz ele, destacando que o risco por aqui é maior. Com isso, os investidores tendem a preferir outros destinos para pôr o dinheiro. Exemplo disso, é que o real foi a moeda com pior desempenho ante a divisa americana ontem, considerando uma cesta de 34 moedas.

 sinalização do Copom, após cortar a taxa básica de juros em 0,50 ponto porcentual, de que mais reduções devem vir levou vários economistas a refazerem suas projeções para a taxa Selic neste ano. Pesquisa do Broadcast Projeções mostra que 36 instituições, de 42 consultadas, veem os juros abaixo de 5% ao fim de 2019 (ler ao lado). 

O estrategista do banco de investimento Brown Brothers Harriman, Win Thin, avalia que os prêmios de risco pagos para se apostar em ativos brasileiros vão ficar “perto de não existirem” com novos cortes. Nesse ambiente, investidores devem preferir fazer operações em países emergentes com juros maiores, como o México (8% ao ano) e a África do Sul (6,5%). 

Segundo economistas, o patamar ideal para o dólar no Brasil está em R$ 3,60 e R$ 3,80. Mas a moeda americana só vai mudar quando o risco diminuir com a aprovação das reformas e redução do déficit fiscal, diz Linger. “Quando os investidores tiverem esse conforto, a moeda vai recuar e o capital externo também vai voltar, mas de olho na economia e nos investimentos de longo prazo.”

Cenário internacional

O mercado externo também pressionou a moeda americana, em especial a guerra comercial entre Estados Unidos e China. O movimento veio na esteira de declarações do conselheiro americano Michael Pillsbury de que o presidente Donald Trump pode aumentar as tarifas americanas sobre bens chineses para 50% ou 100%, caso não haja acordo em breve. 

O petróleo, por sua vez, voltou a subir, depois do aumento de tensão envolvendo a Arábia Saudita e o Irã, após os ataques a refinarias no Golfo, no último fim de semana. 

B3

Na Bolsa de Valores, a B3, a indicação de novos cortes na Selic provocou um efeito gangorra. Após testar novas máximas históricas, ao ultrapassar os 106 mil pontos, impulsionado sobretudo pela alta das ações de empresas ligadas ao consumo, o Ibovespa (principal índice da B3) perdeu força e fechou em queda de 0,18%, abaixo dos 105 mil pontos. 

Segundo analistas, a expectativa de migração de investimentos mais conservadores para o mercado acionário ajudou na subida do índice da Bolsa paulista.

Mas o movimento não conseguiu se sustentar. O sócio e gestor de renda variável da RJI Gestão & Investimentos, Rafael Weber, atribui a falta de força do índice à ausência de sinais mais claros de recuperação da atividade econômica.

O mercado já precificou a questão da reforma da Previdência e os juros menores, o que sustenta o Ibovespa no nível atual. Para o índice buscar os 115 mil, 120 mil, ou até mesmo um nível menor, de 110 mil, os números da atividade precisam melhorar”, afirma o gestor. 

O desempenho da Bolsa só não foi pior porque as ações de empresas ligadas ao consumo fecharam em alta. Via Varejo subiu mais de 5%; Magazine Luiza, 2,1%; a B2W, 5,7%; e Lojas Americanas, 2,7%. Nesses dois últimos casos, entretanto, além da queda do juro, as empresas foram beneficiadas pelo fechamento de um acordo importante com a Linx. Na outra ponta, no entanto, os bancos, que registraram alta pela manhã, fecharam o dia em queda. Uma das explicações é que a rentabilidade que as instituições têm com investimentos em títulos públicos vai cair, além do spread diminuir nas operações de crédito.

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