Depois de forte alta ontem, dólar opera em queda

Depois de um dia de forte alta, no qual chegou a atingir o maior patamar do ano (R$ 2,4000), o dólar comercial opera em queda nesta quinta-feira. Às 12h25, a moeda norte-americana é negociada a R$ 2,3300, em baixa de 2,92% na ponta de venda das operações. O patamar mínimo até este horário é de R$ 2,3280 e a máxima, R$ 2,3550.A forte alta do dólar nos últimos dias é resultado de uma busca dos investidores por ativos mais seguros. Ou seja, há uma reversão dos fluxos de capital. Este movimento era positivo anteriormente, dado que os investidores buscavam ganhos mais elevados nos países emergentes. Esse cenário começou a mudar quando a inflação nos Estados Unidos deu mostras de estar pressionada. Isso levaria a uma alta dos juros norte-americanos, o que acaba atraindo o capital investido em outros países, inclusive o Brasil.Contudo, a alta do dólar não tem sido constante nos últimos dias. As cotações têm oscilado muito por conta dos dados da economia norte-americana. Como eles divergem uns dos outros, o comportamento do dólar reage de forma diferente a cada dia.Hoje, além de um ajuste técnico das cotações, que acaba acontecendo sempre depois de um dia de forte alta, a moeda norte-americana voltou a recuar frente ao real com os dados sobre o Produto Interno Bruto (PIB) dos EUA. O número foi revisado para uma expansão anualizada de 5,3%, acima do crescimento de 4,8% registrado na primeira estimativa, mas abaixo dos prognósticos dos analistas de uma variação de 5,8%.Os índices de inflação do relatório do PIB, que têm despertado atenção dos investidores, foram, no geral, mantidos inalterados, aliviando a preocupação do Federal Reserve na seara das pressões inflacionárias. Outro dado desfavorável foi o de pedidos de auxílio-desemprego nos EUA, que caíram apenas 40 mil na semana passada, ante a expectativa de declínio de 52 mil previsto pelos analistas. No entanto, o dado de vendas de imóveis usados apontou queda de 2% em abril, inferior ao recuo de 2,5% previsto por economistas.Ou seja, no geral, a economia nos Estados Unidos dá sinais de crescimento abaixo do esperado, o que reduz a possibilidade de nova alta de juros nos estados Unidos. Isso porque, quando a economia está menos aquecida, o risco de inflação é menor e, portanto, a necessidade de elevar os juros para conter os preços também é menor. Sem alta dos juros, a migração de recursos para o mercado americano tende a ser menor, aliviando a pressão de alta sobre as cotações.

Agencia Estado,

25 de maio de 2006 | 12h25

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