Depois de governo aumentar tarifa do leite em pó, secretário defende abertura comercial

Depois de governo aumentar tarifa do leite em pó, secretário defende abertura comercial

Segundo Marcos Troyjo, a meta é aumentar a participação do comércio exterior no PIB, hoje em torno de 1% no Brasil

Lu Aiko Otta, O Estado de S.Paulo

13 Fevereiro 2019 | 19h02

BRASÍLIA - Um dia depois de o governo anunciar a elevação da tarifa de importação do leite em pó de 28% para 42,8% por pressão da bancada ruralista, o secretário especial de Comércio Exterior e Assuntos Internacionais do Ministério da Economia, Marcos Troyjo, afirmou que o Brasil vai exportar mais, mas também vai importar mais. No seminário “Brasil de Ideias”, ele voltou a defender o modelo de inserção competitiva do Brasil na economia mundial como estratégia de desenvolvimento.

A meta, informou, é aumentar a participação do comércio exterior no Produto Interno Bruto (PIB), a exemplo do que fizeram todos os países que mudaram de patamar de renda nos últimos 70 anos. Hoje essa participação gira em torno de 1% no Brasil, enquanto nos países mais dinâmicos ela é da ordem de 50%.

“Importar ajuda a exportar”, argumentou. Ele acrescentou que a abertura comercial não será feita de maneira “irresponsável”, simplesmente cortando tarifas de forma abrupta. “Vamos fazer movimentos coordenados, amplos, graduais de abertura”, informou. Esses movimentos ocorrerão “pari passu” com medidas que irão aumentar a competitividade das empresas brasileiras, como mudanças na tributação, redução de burocracia, incremento dos mecanismos de promoção comercial.

A abertura comercial, explicou o secretário, é um dos pontos da inserção comercial. Mas há outros dois: a conjuntura e a estrutura.

Na conjuntura, ele citou o fato de a China estar modificando seu perfil econômico e “empurrando” para países do seu entorno a tarefa de produzir bens industriais de baixo custo. Com isso, o Sudeste asiático experimenta taxas elevadas de crescimento e renda. Para o secretário, trata-se de uma tremenda oportunidade para o Brasil, pois essa renda será direcionada para o consumo. A tendência é que cresça a demanda por alimentos, uma área no qual o País é competitivo, e infraestrutura.

Outro elemento da conjuntura são os Estados Unidos, com quem o Brasil mantém um volume pequeno de comércio, considerando o tamanho das duas economias. O alinhamento entre o presidente Jair Bolsonaro e o norte-americano Donald Trump abre uma oportunidade para elevar o volume de comércio entre os dois países.

Um terceiro elemento da conjuntura é o Mercosul. “É preciso tornar o Mercosul mais simples”, defendeu. “Isso dará um novo fôlego como plataforma de integração competitiva.”

O modelo do Mercosul é considerado complexo, entre outras coisas, porque obriga que as negociações de acordos comerciais sejam feitas com o bloco e não com países individualmente. Muitos especialistas defendem a revisão desse modelo, para dar mais liberdade aos países-membros.

O secretário não falou explicitamente sobre isso, mas deixou claro que o modelo precisa ser atualizado. “Não usamos as mesmas roupas dos anos 1990”, comentou.

A estrutura, explicou o ministro, tem a ver com a forma como os órgãos de governo participam do comércio exterior, em temas como inteligência, negociações de acordo e defesa comercial.  Nos países que conseguiram elevar suas exportações e importações, a máquina é bem azeitada. Aqui, o esforço é para ajustar todas as estruturas de governo, que estão em vários ministérios, para que elas funcionem de forma coordenada.

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