Depois de inflacionar leilão, Nextel mostra menos fôlego

A Nextel, que ontem inflacionou a disputa pelas licenças de terceira geração (3G) da telefonia celular, levando a ágios de mais de 200%, hoje apareceu de maneira menos agressiva na licitação promovida pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). A empresa, que opera comunicação por rádio, continuou oferecendo os maiores lances iniciais, mas, na seqüência, não conseguiu arrematar nenhuma licença de 3G.O fôlego da Nextel hoje era visivelmente mais curto, já que a empresa desistia mais rapidamente da disputa, participando de número menor de rodadas, em comparação com o que fazia ontem. Com isso, a segunda etapa do leilão foi mais rápida e com ágios menores, em torno de 50%.A avaliação do superintendente de Serviços Privados da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), Jarbas Valente, é a de que o fato de a Nextel não ter conseguido levar nenhuma licença na área 1 (Rio de Janeiro, Espírito Santo, Bahia e Sergipe) e na área 2 (regiões Sul, Centro-Oeste e Estados de Tocantins, Rondônia e Acre) desestimulou a empresa a disputar as licenças relativas a São Paulo.O objetivo da Nextel, na opinião de especialistas, era o de montar uma rede nos principais corredores viários para ampliar sua atuação em alguns segmentos, como rastreamento de cargas e segurança. Com a tecnologia 3G, que aumenta a capacidade da rede, esses serviços poderiam ser prestados com mais qualidade e abrangência.ConcorrênciaValente avalia também que a Nextel "sentiu que não estava fácil" competir com as grandes operadoras (como Vivo, TIM, Claro, Oi e Brasil Telecom), que vieram preparadas para arrematar uma licença em cada área. Além disso, a vitória na região de São Paulo exigiria investimentos pesados para construir uma nova rede nas regiões Norte e Nordeste do País, áreas cuja prestação dos serviços é obrigatória para quem arrematar os lotes da capital paulista e do interior de São Paulo.Desde que a Nextel se apresentou como um dos competidores do leilão, na semana passada, especialistas do mercado vêm questionando o poder de fogo da empresa para atender às obrigações impostas pela Anatel.Como as demais concorrentes já operam telefonia celular, teriam vantagem, porque poderiam lançar mão de sua rede convencional para cumprir esta obrigação, enquanto a Nextel teria que implantar toda uma nova estrutura. A Nextel, que é controlada pela holding americana NII, atua em oito Estado e no Distrito Federal.

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