Depois de Mantega, Coutinho também nega ajuda a empresas

'Quero deixar bem claro que o BNDES não está fazendo operações de socorro. O BNDES não é hospital', diz

Tatiana Favaro, de O Estado de S. Paulo,

27 Outubro 2008 | 18h56

O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luciano Coutinho, afirmou nesta segunda-feira, 27, que o governo brasileiro não vai socializar os prejuízos das empresas que perderam com operações de derivativos cambiais. "Quero deixar bem claro que o BNDES não está fazendo operações de socorro. O BNDES não é hospital. Nós não estamos bancando prejuízo", afirmou.  Veja também:Mantega nega ajuda a empresas com problemas com câmbioMaioria das empresas da Bolsa apostou na alta do realLições de 29Consultor responde a dúvidas sobre crise   Como o mundo reage à crise  Entenda a disparada do dólar e seus efeitosEspecialistas dão dicas de como agir no meio da crise Dicionário da crise  "Quando afirmei na sexta (24) que o BNDES atuaria para apoiar as empresas que estavam perdendo com operações com derivativos eu deixei muito claro que as empresas que tiverem prejuízo terão de arcar com eles. É algo difícil que terão equacionar com o sistema bancário privado, que já se mostrou disposto a refinanciar", disse Coutinho. As declarações foram feitas depois que o ministro da Fazenda, Guido Mantega, negou que o governo ajudaria companhias com problemas em operações vinculadas ao câmbio. Durante participação em evento realizado pelo Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças em Campinas (a 95 quilômetros de São Paulo), Coutinho afirmou que o papel do BNDES será, após as empresas equacionarem seus prejuízos, de ajudar e examinar tipos de reforços a programas de exportação e expansão das empresas exportadoras afetadas por essas operações. Mas sem taxas ou operações privilegiadas e dentro das condições de mercado, disse o presidente da instituição. "Eu não posso falar de apoio nem forma de apoio a nenhuma empresa de capital aberto, porque estaria infringindo normas de governança", lembrou. "Todas essas operações serão nas condições de mercado. O que não podemos deixar de fazer é apoiar empresas que, tendo amargado prejuízos e equacionado - portanto não há nada de bancar prejuízos - não fiquem travadas e possam continuar contribuindo para o crescimento do país, da exportação e mantendo minimamente seus planos de investimento", afirmou.  Coutinho disse que o País tem fundamento econômico para passar por possíveis reflexos da crise internacional e estimou um crescimento econômico de até 4% em 2009, ante aos 5,5% previstos por ele para este ano. "Acho que o crescimento está mais pra 4% que pra 3,5% (em 2009). O Brasil tem condições de ultrapassar esse momento mais difícil porque temos uma economia muito sólida, temos um sistema bancário ultra-sólido, temos uma sociedade com capacidade de consumo, melhorou a distribuição de renda, temos um sistema empresarial sólido, rentável, que vai poder absorver essas perdas e continuar crescendo", disse.  "Há uma discussão muito firme do governo de sustentar o PAC, de sustentar o investimento em infra-estrutura, e essa sustentação dos investimentos dará o suporte mínimo para o crescimento da economia brasileira. De maneira que a gente precisa ficar tranquilo, deixar a ansiedade passar", continuou. Coutinho reiterou ainda que o BNDES continua a operar linhas de apoio a investimentos, inovação tecnológica, infra-estrutura -- consideradas prioridades. "O que fizemos de novo e já foi anunciado foi a ampliação da linha de pré-embarque (para US$ 5 bilhões) para apoiar a exportação de manufaturados e de bens de capital", disse.

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