Depois de perder Corus, CSN pode virar alvo de compra

A Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) continuará buscando aquisições internacionais após ter perdido a batalha de aquisição da anglo-holandesa Corus, mas também pode se tornar alvo de aquisição, disseram analistas nesta quarta-feira. A indiana Tata Steel superou a CSN no leilão pela Corus, oferecendo 608 pence por ação, ou o equivalente a cerca de 12,2 bilhões de dólares. A CSN propôs pagar 603 pence por ação da Corus. A derrota para a Tata é o segundo revés em três meses para a CSN, que também perdeu a batalha pelo controle da siderúrgica norte-americana Wheeling-Pittsburgh para o grupo de serviços Esmark, também dos Estados Unidos. Mas os acontecimentos recentes não devem deter o presidente-executivo e principal acionista da CSN, Benjamin Steinbruch, que tenta há anos transformar a empresa em um peso-pesado da indústria global do aço."A CSN tem outras possibilidades de aquisições nos próximos anos, talvez nos EUA ou na China", disse Aroldo Ceotto, presidente da empresa de análises Metal Data, sediada no Rio de Janeiro. A CSN tem usinas nos EUA e Portugal, além do Brasil. O analista de siderurgia e mineração Rodrigo Ferraz, do Banco Brascan, disse que a CSN está buscando acesso aos mercados europeu e norte-americano, mas que encontrar o alvo apropriado não será fácil. Steinbruch confirmou as ambições de expansão da CSN. "A CSN permanece comprometida com a sua estratégia amplamente divulgada e voltada para a internacionalização de suas atividades, assim como com os investimentos já em andamento", disse ele em fato relevante nesta quarta-feira. Ele também afirmou que a CSN pretende avançar nos planos de investimentos para triplicar sua capacidade de produção e que a indústria siderúrgica mundial continuará a se consolidar, oferecendo oportunidades para expansão. Alvo atrativoMas Ceotto, da Metal Data, disse que a CSN também é um alvo atrativo de aquisição. "É possível que a CSN seja alvo de aquisição, mas acho que Steinbruch não quer vender a empresa... a menos que o preço seja realmente muito bom", disse ele. O analista Ferraz, do Banco Brascan, concorda: "É razoável imaginar que outras siderúrgicas tenham interesse na CSN". Ao mesmo tempo, analistas observaram que foi bom para a CSN ter perdido a batalha pela Corus. "Foi bom para a CSN perder. O ativo não era muito competitivo e havia muito o que se discutir em relação às sinergias", disse Ceotto.Ferraz lembrou que a CSN teria que aumentar de forma significativa seu endividamento para adquirir a Corus, elevando sua alavancagem financeira. "O mercado irá reagir positivamente a isso", disse o analista do Banco Brascan. Às 17h30, as ações da CSN exibiam alta de 6%. O índice Bovespa avançava 0,84%.

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