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O centro da meta de inflação perseguida pelo BC em 2021 é de 3,75%, com margem de 1,5 ponto para cima ou para baixo. André Dusek/Estadão

Depois de quase seis anos, BC volta a subir juros para controlar inflação; Selic vai para 2,75%

Banco Central avisa que na próxima reunião deve voltar a subir os juros em 0,75 ponto porcentual - para analistas, entidade monetária está sem saída; previsão do mercado é Selic em 4,5% ao ano no final de 2021

Eduardo Rodrigues, Idiana Tomazelli e Douglas Gavras, O Estado de S.Paulo

17 de março de 2021 | 18h50
Atualizado 18 de março de 2021 | 12h15

BRASÍLIA e SÃO PAULO - Pressionado pela alta dos preços dos alimentos e dos combustíveis, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu, por unanimidade, elevar a Selic (a taxa básica da economia) em 0,75 ponto porcentual, para 2,75% ao ano. Depois de sete meses com os juros no menor nível da história, essa é a primeira elevação na Selic desde julho de 2015.

O aumento de 0,75 ponto porcentual de largada surpreeendeu os analistas e o BC já avisou que na próxima reunião, daqui a 45 dias, deve subir a Selic novamente em 0,75 ponto porcentual. 

Das 54 instituições do mercado financeiro consultadas pelo Projeções Broadcast, apenas uma esperava esse aumento mais intenso. A maioria (48) aguardava que a taxa subisse mesmo de 2% para 2,50% ao ano. Três delas previam alta de 0,25 ponto.

A previsão do mercado é de que a taxa continue avançando, terminando 2021 em 4,5% ao ano e 2022 em 5,5% ao ano.

Na prática, quanto menores os juros básicos da economia, mais barato fica o crédito para empresas e famílias, o que possibilitou o crescimento dos financiamentos no auge da crise e ajudou a segurar as quedas na atividade e no emprego.

Ao voltar a subir os juros, o Copom mira a inflação de médio e longo prazo, tentando evitar que alta dos preços se dissemine na economia.

O centro da meta de inflação perseguida pelo BC em 2021 é de 3,75%, com margem de 1,5 ponto (de 2,25% a 5,25%). A meta de 2022 é de 3,50%, com margem de 1,5 ponto (de 2,00% a 5,00%), enquanto o parâmetro para 2023 é de inflação de 3,25%, com margem de 1,5 ponto (de 1,75% a 4,75%).

Ao justificar a decisão de hoje, o BC avaliou que o PIB encerrou 2020 com crescimento forte na margem, recuperando a maior parte da queda observada no primeiro semestre, e as expectativas de inflação passaram a se situar acima da meta no horizonte relevante de política monetária. “Adicionalmente, houve elevação das projeções de inflação para níveis próximos ao limite superior da meta em 2021”, destacou.

Para o Copom, uma estratégia de ajuste mais rápido – com uma elevação maior da Selic agora - teria como benefício reduzir a probabilidade de não cumprimento da meta para a inflação deste ano, assim como manter a ancoragem das expectativas de inflação para horizontes mais longos.

“Além disso, o amplo conjunto de informações disponíveis para o Copom sugere que essa estratégia é compatível com o cumprimento da meta em 2022, mesmo em um cenário de aumento temporário do isolamento social”, completou.

Teste para BC autônomo: elevar os juros mesmo com o agravamento da crise

A decisão foi o primeiro teste e tudo indica mais difícil até agora para o presidente do BC, Roberto Campos Neto, e sua equipe após o Congresso aprovar no mês passado a autonomia da instituição, com a justificativa de garantir a condução da política de juros sem pressões políticas.

Para Entender

Taxa Selic: o que é e como ela mexe com seu bolso

Principal instrumento de política monetária do país no combate à inflação, a taxa pode mexer em empréstimos, financiamentos e aplicações.

A perspectiva de a economia brasileira entrar em recessão técnica, no segundo trimestre deste ano, num quadro de recrudescimento da pandemia, combinado com  medidas de isolamento e lockdown, só ampliou o desconforto com a medida. Com a inflação em 12 meses se aproximando de 7% em abril, desemprego e PIB negativo, a economia vive uma situação de estagflação.

O momento é ainda mais delicado porque o próprio presidente Jair Bolsonaro contribuiu para elevar, nas últimas semanas, a cotação do dólar disparando uma série de movimentos erráticos e contraditórios na economia, que começou com a intervenção da Petrobrás, passou pela tentativa de flexibilizar o teto de gastos (a regra que atrela o crescimento das despesas à inflação) e terminou com a articulação de uma manobra para desidratar as medidas de corte de gastos da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) do auxílio emergencial.

O resultado: mais pressão sobre a inflação, a ponto de Campos Neto ter entrado nas negociações políticas para impedir uma derrota geral na votação, o que complicaria ainda mais o trabalho do BC na condução da política monetária (calibrar a taxa básica de juros, a Selic, para o controle da inflação).

Sem saída

A decisão de elevar os juros básicos em 0,75 ponto surpreendeu a maior parte dos analistas, que esperavam um aumento menor da Selic. Na visão de economistas ouvidos pelo Estadão, no entanto, a medida demonstra a preocupação do BC em lidar com a alta de preços e do dólar e era inevitável – embora haja divergências sobre a velocidade desse aumento.  

Para José Júlio Senna, chefe do Centro de Estudos Monetários do Instituto Brasileiro de Economia, da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV), e ex-diretor do BC, apesar de a entidade entender que os choques recentes na economia são temporários, eles estão em uma dimensão relevante, e o quadro para a inflação se tornou preocupante. “Quando se olha o comportamento dos preços ao produtor, a alta é substancial.”

Ele completa que a questão fiscal no Brasil também é preocupante e que há uma falta de apetite pelo enfrentamento desse problema. “Principalmente para conter a evolução das despesas obrigatórias. E há sinais de traços de populismo na condução da política econômica.”

Já a consultora econômica Zeina Latif diz que o movimento do BC poderia ter sido mais modesto, para acompanhar os desdobramentos da economia. Ela também avalia que a eficácia da alta de juros será baixa. “No curto prazo, o dólar deve recuar, mas os principais fatores para o descolamento do dólar são a questão fiscal, a falta de uma agenda de governo e a incompetência para lidar com a pandemia. A tendência é termos um aperto mais forte dos juros do que se imaginava.”  

André Perfeito, economista-chefe da Necton, destaca que a Selic deveria ter subido antes. “Juro mais alto, porém, pode cair mal e precisamos observar os efeitos políticos disso. Mas tudo piorou rapidamente e não adianta ter juros no lugar certo e a economia no lugar errado.”

Fabio Silveira, sócio-diretor da MacroSector Consultores, critica a elevação dos juros. “Foi um grande erro de análise. Não era para fazer nada agora, pois há uma inflação de custos, não de demanda. Em vez de esfriar os preços, vai esfriar a ainda frágil demanda.”

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Celso Ming: 'BC assumiu o comando de uma economia sem rumo'

Diante da escalada da inflação e do dólar, o Banco Central elevou a taxa básica de juros em 0,75 ponto porcentual ao ano, de 2% para 2,75% ao ano, dando o recado que alguém assumiu o comando de uma economia sem rumo

Celso Ming, O Estado de S.Paulo

17 de março de 2021 | 19h42

Há quase seis anos os juros básicos (Selic) não subiam. Pois desta vez, a mordida foi valente, de 0,75 ponto porcentual ao ano, de 2% para 2,75%, porque a inflação foi longe demais. O recado foi o de que alguém assumiu o comando de uma economia sem rumo. Com seu único instrumento, a política monetária, o Banco Central teve de lidar com forças que trabalham em direções opostas. 

A mais importante dessas forças é o estouro confuso e inesperado da inflação em tempos de retração da economia. Depois de cinco anos de baixo avanço e em queda, em fevereiro a inflação medida em 12 meses (evolução do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA)) saltou para 5,2%, fortemente acima da meta do ano, que é de 3,75%. A expectativa dos agentes econômicos, medida pela Pesquisa Focus, é de uma inflação anual em dezembro de 4,6%, número que tende a se encorpar.  O próprio Copom projeta para alguma coisa em torno dos 5,0%.

O Banco Central vinha perdendo as condições de ancoragem, que é a capacidade de levar os fazedores de preços a acreditar que a inflação vai para onde o Banco Central quer que vá.

Em boa medida, a estocada descontrolada da inflação é consequência da alta do dólar que, apenas em 2021, já está perto dos 8%, a despeito das intervenções agressivas do Banco Central para contê-la. O encarecimento da moeda estrangeira também puxa para cima os preços dos importados e dos produtos amarrados ao dólar, como os combustíveis e rações animais. 

A disparada da cotação do dólar, por sua vez, é o resultado de enormes lambanças do governo que produziram insegurança: é a política sanitária desastrada de controle da covid-19; a intervenção atabalhoada na Petrobrás; e a maneira flácida como administra as contas públicas. Não menos importante, o dólar também decolou com a volta de Lula ao cenário político-eleitoral.

Não falta quem atribua o avanço da inflação também ao rali das commodities, que aumentou os preços da carne, das rações animais e de grande número de alimentos. No entanto, a escalada dos preços do feijão preto e do arroz, de 51,6% e 69,8%, respectivamente, em 12 meses, não tem relação com o dólar. São produtos apenas marginalmente exportados. Tem a ver com o aumento do consumo interno que, por sua vez, é consequência da distribuição do necessário e inevitável auxílio emergencial durante a pandemia, de R$ 294 bilhões para 68,2 milhões de pessoas.

Nos relatórios das reuniões anteriores do Comitê de Política Monetária (Copom), o Banco Central vinha afirmando que a maior parte da inflação tinha origem no aumento de custos da economia. Nessa categoria poderiam entrar a desorganização dos estoques, a alta do petróleo e demais commodities no mercado internacional.

Em princípio, uma inflação de custos não se combate com alta dos juros, porque alta de juros é produzida com redução do volume de moeda na economia, recurso que não ajuda a aumentar a oferta de mercadorias e serviços. Alta dos juros funciona quando o avanço da inflação é produzido por aumento da demanda que, por sua vez, reflete mais dinheiro circulando na economia. Funciona, porque, com menos moeda em circulação, também se reduz a demanda por coisas e serviços. 

Por isso, também, o Copom preferiu apostar em que a inflação seria temporária – enquanto durasse esse aumento de custos. Por isso, não mexeu nos juros. Mas as coisas desandaram e continuar sem fazer nada poderia ser pior.

Se fosse para evitar novas altas da moeda estrangeira, talvez o Banco Central tivesse de puxar os juros para 3,0% ao ano. A intervenção a que se viu obrigado nas últimas semanas talvez tenha tido o objetivo de limitar a alta dos juros a esse 0,75 ponto porcentual.

Juros subindo assim produzem efeito colateral perverso: tendem a frear a economia num momento em que o desemprego é alto e em que a produção perde fôlego. Já havia o efeito pandemia que vai parando tudo e, agora, tem essa mordida dos juros. Por isso, comerciantes, empresários e pessoas que dependem de crédito vão multiplicar protestos e queixas contra a decisão.

O Banco Central avisou que pretende chegar a uma Selic de 4,5% neste ano e de 5,5% em 2022. Mas não tem clareza sobre a dosagem correta.

CELSO MING É COMENTARISTA DE ECONOMIA

 

 

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Adriana Fernandes: BC dá uma paulada nos juros para afastar 'Bolsocaro' em 2022

O que se espera agora é que o dólar caia e ajude a conter os repasses de preços

Adriana Fernandes, O Estado de S.Paulo

17 de março de 2021 | 22h01

Na primeira decisão após a aprovação do projeto de autonomia, o Banco Central deu uma paulada na taxa de juros para afastar o risco de aceleração da inflação que tomou conta do País num cenário de queda de Produto Interno Bruto (PIB) e expectativa de recessão no primeiro semestre.

Dois caminhos que não se combinam, mas que no Brasil pandêmico de 2021 retratam o momento extremamente delicado para a economia de desorganização que o País vive hoje por causa do combate da pandemia.

Resultado de escolhas erradas e incertezas ampliadas (a maioria delas patrocinadas pelo próprio presidente Jair Bolsonaro) que colocaram combustível adicional no processo de desvalorização do real frente ao dólar. A alta do câmbio acabou puxando a inflação e agora os juros subiram de 2% para 2,75%.

O presidente do BC, Roberto Campos Neto, que há poucos dias pregou calma e tranquilidade na condução da política de juros quando o mercado financeiro cobrava uma alta de 0,75 ponto porcentual (que acabou acontecendo hoje) botou o pé do acelerador e sancionou a aposta mais salgada de elevação da taxa Selic, os juros básicos do Brasil.

Disparou um tiro mais forte para evitar que a alta de hoje se espalhe em 2022, ano de eleições presidenciais, com a contaminação das expectativas. Como mostrou o Estadão, nos últimos meses, a inflação acelerou e virou o calcanhar de aquiles do presidente. Cobrado nas redes sociais pela alta da inflação, com vídeos que intitulam o movimento de alta dos preços como “Bolsocaro”, o presidente já reclamou em público diversas vezes do reajuste dos preços da carne, do arroz, do gás de cozinha e dos combustíveis.

Nos últimos tempos, Campos Neto entrou na seara política com negociação aberta com lideranças do Congresso para afastar o risco fiscal e aliviar para o seu lado a tarefa de controlar a alta da inflação com um processo mais suave de alta de juros.  

Não foi suficiente. A calma ficou para trás e o BC colocou munição para esfriar ainda mais a economia. O que se espera agora é que o dólar caia e ajude a conter os repasses de preços. O teste da blindagem do BC começa agora. Vai ter chiadeira.

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'O problema da economia não o juro, é a falta de vacinas', diz economista

Para Armando Castelar, País só vai encontrar um rumo na economia com o avanço da vacinação e o fim dos desgastes do governo federal com Estados e municípios

Entrevista com

Armando Castelar, economista do Ibre/FGV

Douglas Gavras, O Estado de S.Paulo

17 de março de 2021 | 19h15

O aumento dos juros básicos é a forma de o Banco Central dar sinais de atenção para a alta preocupante da inflação nos últimos meses, segundo análise do coordenador de Economia Aplicada, do Instituto Brasileiro de Economia, da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV), Armando Castelar. Nesta quarta-feira, 17, o BC elevou a taxa Selic de 2% para 2,75% ao ano.

O economista lembra que os juros reais negativos (uma vez que não conseguem superar a inflação) não têm sido suficientes para animar a atividade econômica e que o País só vai encontrar novamente um rumo com o avanço do programa de vacinação e o fim dos desgastes provocados pelo governo federal contra Estados e municípios. A seguir, trechos da entrevista:

Era hora mesmo de aumentar os juros?

É o movimento correto, a inflação tem surpreendido para cima e uma reação do Banco Central controla as expectativas e evita que ela continue subindo. Os preços subiram pela questão dos alimentos, mas o petróleo também começou a subir muito, o que pressionou bastante o preço da gasolina. Alguns serviços, como planos de saúde, quase não tiveram reajuste no ano passado, mas esse aumento vem este ano. Muito do que foi subtraído no ano passado virá em 2021. Há outra questão relevante: a inflação acumulada em 12 meses vai bater em 7% em maio, o que impacta nas expectativas. Quando se olha para os resultados mês a mês também, a inflação surpreendeu para cima. A questão imposta ao BC é reagir para mostrar que ele está atento.

Os cortes recentes da Selic foram além do necessário? 

O corte lá atrás foi maior do que o necessário. Ao reduzir os juros para 2% ao ano, gerou-se um risco maior de ter de subir a Selic antes que a pandemia estivesse resolvida. Agora, o risco se mostrou verdadeiro. O resultado é que se acelerou a necessidade de um aumento mais forte, com todas as consequências disso. Talvez o melhor tivesse sido cortar juros até 3% e esperar um pouco. Mas isso não é uma crítica de que foi feita errada.

Como um novo ciclo de alta de juros pode impactar na dívida pública?

A dívida vai se complicar bastante, pois os juros estão subindo lá fora, com a vitória dos democratas nos Estados Unidos, o pacote fiscal e a vacinação. Isso já era percebido nos juros mais longos e vai ter um efeito significativo na Selic e na dívida. Mas os juros reais (descontada a inflação) ainda estão negativos, o que a gente está falando é que é preciso que eles deixem de ser tão negativos. Levar a Selic para 5,5% no fim do ano, por exemplo, não seria uma catástrofe. 

Juros mais altos não devem ter um impacto forte na atividade econômica? A economia freou no fim do ano passado e devemos ter um primeiro trimestre já muito ruim.

Tem um efeito direto negativo sobre os custos de financiamento, mas reduz as incertezas. Não saber se o governo está atento à inflação também gera incertezas para o investidor. Mas, para além dos juros, o que está fazendo a economia travar é a pandemia, é a falta de vacinação. Os juros reais negativos de agora não têm tido um impacto grande na atividade econômica. Com os juros reais em 3% negativos, a economia deveria estar bombando. Não está, pois não é o juro que está segurando a economia. A economia está completamente dependente da vacinação, quanto antes ela acontecer, mais rápido o emprego vai se recuperar também. A tendência é que a curva de juros futuros fique menos inclinada e isso dará mais segurança e previsibilidade. Se eles não mostrarem que estão atentos à inflação, não tem como passar um sinal de segurança para a população.

Com o caos nas UTIs em todo o Brasil e o programa de vacinação em ritmo lento, corremos o risco de que 2021 seja um ano perdido?

A economia vai se sair melhor no segundo semestre, estou otimista com relação a algum avanço na vacinação. Se metade do que se está prometido na compra de vacinas for entregue, vai ser bem melhor. Mas a primeira metade do ano vai ser muito ruim e tem muita heterogeneidade entre setores. O câmbio desvalorizado está sendo positivo para a indústria, mas não há uma tendência para a melhora dos serviços, em geral, principalmente transporte aéreo e turismo, e o comércio teve uma parada no começo do ano também. Talvez o País tenha até uma recessão técnica (dois trimestres seguidos de recuo no PIB) neste início de ano, mas que pode se reverter, em partes, no segundo semestre. Só que o desemprego ainda deve ser agravado ao longo de 2021.

Por diversas vezes, o presidente Jair Bolsonaro opôs o controle da pandemia à proteção da economia. Essa escolha entre pandemia e economia era real?

Eu não acho que seja assim e uma pandemia tem vários estágios. O lockdown tem impacto imediato na redução da atividade econômica, é fato, mas o que se passou a fazer em outros países foi um fechamento mais inteligente, de madrugada, e mais pontual, escolhendo bem o tipo de serviço interrompido. E a saída é combinar essas restrições ao estímulo ao uso de máscara, medidas de higiene, distanciamento etc. Depois do susto inicial no segundo trimestre do ano passado, o segredo está em fazer direito. No Brasil, porém, há uma briga entre governo federal de um lado e Estados e municípios do outro, com um encorajamento a não usar máscara e não tomar o cuidado de evitar aglomerações. O resultado é a pandemia ter ficado muito maior do que deveria estar, até por ter chegado ao Brasil depois de vermos o que aconteceu na Europa e nos Estados Unidos. É o pior dos mundos. Se tivesse sido feito um esforço pelas vacinas há seis meses, estaríamos em outra situação.

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