Tiago Queiroz/Estadão
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Depois de quatro meses de queda, serviços têm alta de 5% em junho

No entanto, apesar do avanço, o setor como um todo ainda precisa crescer mais 17% para retornar ao patamar pré-pandemia do mês de fevereiro

Daniela Amorim, O Estado de S.Paulo

13 de agosto de 2020 | 09h23
Atualizado 13 de agosto de 2020 | 16h09

RIO - Após quatro meses seguidos de perdas, os serviços voltaram a crescer em junho. A alta de 5% no volume de serviços prestados no País em relação a maio, ao lado da melhora registrada também pela indústria e varejo no período, corroboram as avaliações de que o pior momento da crise provocada pela pandemia do novo coronavírus parece ter ficado para trás.

"A mensagem geral é de que os serviços são o setor mais prejudicado pela pandemia e pelo isolamento social, mas que agora, a partir de junho, vamos começar a ver uma tendência de números positivos", avaliou a economista Lisandra Barbero, da XP Investimentos.

Todas as cinco atividades de serviços registraram crescimento na passagem de maio para junho. Os destaques foram para os avanços em transportes (6,9%) e serviços de informação e comunicação (3,3%), mas também cresceram os serviços profissionais e administrativos (2,7%) e o segmento de outros serviços (6,4%).

Os serviços prestados às famílias tiveram um avanço recorde de 14,2%, mas ainda precisam de uma expansão de 105,2% para retornar ao patamar pré-pandemia.

“Os serviços prestados às famílias ainda estão distantes de recuperar a perda acumulada na pandemia, de março e abril, de 62,5%”, ressaltou Rodrigo Lobo, gerente da pesquisa do IBGE. “Teve um efeito substituição. As pessoas estão indo mais a supermercados, cozinhando em casa, deixando de ir a restaurantes.”

Na média global, o setor de serviços como um todo precisa crescer mais 17% para retornar ao patamar de fevereiro, pré-pandemia. A recuperação, porém, não deve ser vigorosa, previu Rodrigo Lobo. “É difícil a gente imaginar uma recuperação rápida para conseguir voltar a esse patamar pré-pandemia”, disse.

O pesquisador do IBGE lembra que as medidas de isolamento social no combate ao coronavírus mantiveram fechados estabelecimentos de serviços, e consumidores fizeram uma espécie de substituição durante a quarentena e o trabalho remoto, passando a consumir bens do varejo em detrimento de serviços.

“O varejo teve recuperação em V, mais rápida. Com a ida maior de pessoas ao supermercado, isso rouba a receita de restaurantes. Os serviços foram afetados de forma mais intensa por causa do caráter presencial da prestação de alguns serviços”, explicou Lobo.

A retomada dos serviços vai depender da melhora na demanda de empresas e também de consumidores, com implicações ainda da evolução da pandemia. Os consumidores precisam estar seguros para sair às ruas e voltar a consumir, assim como precisam de renda para tal, o que dependerá também do mercado de trabalho, disse Lobo.

“Além da segurança, do ponto de vista do consumidor, digamos que num momento próximo tudo seja liberado e não haja nenhum tipo de restrição... Quando houver essa liberdade, por conta das autoridades, talvez as empresas não mais existam, muitas delas pelo menos. Tem a demanda pelo lado do mercado de trabalho, e tem a oferta também que não vai ser da mesma magnitude”, alertou Lobo.

Para o economista Carlos Lopes, do Banco BV, é preciso cautela na recepção dos números positivos de junho, porque os dados mensais são muito voláteis.

"Para a gente não cometer o mesmo erro que muita gente cometeu em maio com a queda dos serviços, com avaliações de que a economia estava caminhando mais devagar, agora não podemos levar para o outro lado e dizer que, com a alta, a retomada vai ser muito mais rápida", justificou Lopes, destacando que o prejuízo provocado pela pandemia no setor de serviços no segundo trimestre ficou no meio do caminho entre a indústria e o comércio.

O volume de serviços prestados no País teve uma queda recorde de 15,4% no segundo trimestre de 2020 ante o primeiro trimestre do ano. Na comparação com o mesmo trimestre do ano anterior, os serviços caíram 16,3% no segundo trimestre de 2020./COLABORARAM CÍCERO COTRIM E THAÍS BARCELLOS

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