André Dusek/Estadão
André Dusek/Estadão

Dilma se reúne com ministros após perda de grau de investimento

Presidente se reúne com Barbosa, Mercadante e outros líderes em busca de saída para dar sinais de compromisso com o ajuste fiscal; após agenda confusa sobre a participação de Levy no encontro, o ministro da Fazenda chegou à reunião de coordenação política

Luci Ribeiro e Lorenna Rodrigues, O Estado de S. Paulo

10 Setembro 2015 | 08h39

(Atualização às 11h30)

BRASÍLIA - Depois do rebaixamento da nota de crédito do Brasil pela agência Standard & Poor's, a presidente Dilma Rousseff convocou para a manhã desta quinta-feira, 10, uma reunião com alguns de seus ministros. Foram confirmadas as participações dos ministros do Planejamento, Nelson Barbosa, e da Casa Civil, Aloizio Mercadante. Houve uma confusão, no entanto, sobre a informação de que o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, iria participar ou não do encontro.

A assessoria do Palácio do Planalto confirmou que o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, chegou ao prédio para participar da reunião de coordenação política, marcada oficialmente para as 9 horas. Mais cedo, a agenda do ministro foi alterada para incluir sua participação no encontro com a presidente Dilma Rousseff. Mesmo assim, a comunicação da Presidência da República chegou a divulgar a lista dos ministros que participam da reunião sem o nome de Levy. Houve um desencontro entre as assessorias de imprensa do Palácio e do Ministério da Fazenda. 

Na lista dos participantes estão ainda o vice-presidente, Michel Temer, o ministro da Comunicação Social, Edinho Silva, de Minas e Energia, Eduardo Braga, das Cidades, Gilberto Kassab, da Justiça, José Eduardo Cardozo, das Comunicações, Ricardo Berzoini, além do líder do governo no Senado, Delcídio Amaral, do líder do governo na Câmara dos Deputados, José Guimarães, e do líder do governo no Congresso Nacional, senador José Pimentel.

O governo tem pressa para encontrar saídas que possam dar sinais de compromisso e de segurança com o equilíbrio fiscal e a retomada do crescimento. Também é preciso fechar logo o "adendo" ao Projeto de Lei do Orçamento Anual de 2016 que será enviado ao Congresso com soluções para o rombo de R$ 30,5 bilhões nas contas do ano que vem. 

Na quarta-feira, o Planalto disse ter recebido com surpresa a decisão da S&P, embora já estivesse esperando. A perda do grau de investimento do País agora impõe, segundo disse Levy em entrevista ao telejornal "Jornal da Globo", ação rápida do Executivo e do Legislativo. 

Para Levy, a lição do rebaixamento do rating do Brasil pela S&P é a de que os agentes estão entendendo a necessidade de fazer escolhas difíceis para que o País readquira o equilíbrio fiscal. "Não é só dizer que vai cortar ou pedir para a população assinar um cheque em branco para o governo", disse. "Precisamos nos decidir. A consequência (do rebaixamento) é olharmos para nós mesmos e decidirmos o que a gente quer. Não adianta empurrar o problema", afirmou. "Qual exatamente vai ser o imposto, quanto vai ser ou qual o tamanho do corte, o governo irá fazer isso nas próximas semanas com muita clareza. É um desafio para cada um de nós."

Para participar da reunião com Dilma, o ministro Barbosa cancelou participação em debate nesta manhã na Câmara sobre Plano Plurianual e Orçamento. 

Minha Casa Minha Vida. Ainda hoje, Dilma se reúne hoje com empresários da construção e movimentos sociais de moradia popular para detalhar algumas condições da terceira fase do Minha Casa Minha Vida. No entanto, as contratações da nova etapa de um dos programas vitrines de Dilma Rousseff só devem começar em 2016. Em vez de um anúncio oficial, como prometido pela presidente no Twitter, Dilma vai discutir hoje os novos parâmetros do programa com o empresariado e representantes de movimentos sociais. 

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