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Depois de reduzir dívida, Terra Santa mira CRA

A empresa está conversando com bancos e emissores e estuda a possibilidade de sondagens iniciais com investidores

Gustavo Porto, O Estado de S.Paulo

21 de outubro de 2019 | 05h00

A empresa de grãos e algodão Terra Santa avalia utilizar o Certificado de Recebíveis do Agronegócio (CRA) como alternativa para financiar sua produção. José Humberto Prata Teodoro Júnior, CEO da Terra Santa, explica que o instrumento faz sentido para o atual momento da companhia, que há pelo menos duas safras tem gerado mais caixa e amortizado sua dívida. “Há quatro anos, era muito difícil conseguirmos colocar uma operação de CRA no mercado. Hoje, isso é assunto de debate interno até para substituir dívidas mais caras”, diz o executivo. Por enquanto, a empresa está conversando com bancos e emissores e estuda a possibilidade de sondagens iniciais com investidores, processo conhecido como “pilot fishing”. A decisão deve ser tomada até o fim do ano e a operação pode ocorrer no primeiro semestre de 2020.

Prioridade. Desenvolvimento e gerenciamento de terras não são mais o foco de negócios da Terra Santa. Teodoro Jr. conta que a produção agrícola passou ao primeiro plano. “Deixamos de buscar áreas para aquisição. Hoje vemos a terra como um ativo que possibilita desempenhar a nossa atividade produtiva”, diz. Aproximadamente 50% das lavouras da empresa estão em áreas arrendadas e as outras 50%, em fazendas próprias. 

No mercado. A Terra Santa não descarta a possibilidade de vender, ainda este ano, uma fazenda em Mato Grosso avaliada em R$ 40 milhões, mas não há pressa. “O cenário de abertura de compra de terras por estrangeiros e a taxa de juros baixa jogam a nosso favor”, afirma Teodoro Jr. 

Avanço. A venda de fungicidas protetores para soja movimentou US$ 430 milhões na safra brasileira 2018/2019, 30% a mais que o período anterior, segundo a Spark Inteligência Estratégica. A disparada ocorre por causa do avanço da ferrugem asiática, principal doença a ser controlada nas lavouras da oleaginosa. 

Multiplicação. Mais da metade da área cultivada com soja no País usa fungicidas protetores. Em 2014/2015, esses agroquímicos foram usados em 6% da área de soja. Em cinco safras, o índice chegou a 54% dos 34,3 milhões de hectares, ou 18,5 milhões de hectares. Segundo Alberto Oliveira, coordenador de projetos da Spark, a venda desse insumo deve crescer “frente às dificuldades do produtor para controlar a ferrugem (foto abaixo)”.

Jabuti. Representantes do setor sucroenergético consideram inoportuna a emenda apresentada pelo senador Luis Carlos Heinze (PP-RS) à “MP do Agro”. A medida trata de regras econômicas para desburocratizar o crédito rural, e o que o parlamentar gaúcho propõe não tem nada a ver com isso. A emenda dele altera lei de proteção de cultivares para ampliar, especificamente, de 20 anos para 25 anos, o prazo de pagamento de royalties pelo uso de variedades de cana-de-açúcar.

Pauta velha. Críticos da iniciativa de Heinze lembram que o projeto de lei 1.702/2019 versa sobre o mesmo tema e tramita desde março na Câmara dos Deputados. Além disso, um grupo de trabalho foi criado no Ministério da Agricultura para discutir o tema polêmico. O senador não se manifestou.

Nas nuvens. O Google Cloud, que tem investido em soluções para vários segmentos da economia, ingressa também na área agrícola. A companhia fez parceria com a S4 AgTech, empresa que usa imagens de satélite para determinar riscos agronômicos e financeiros. Adolfo Abreu, head de engenharia para clientes de Google Cloud no Brasil, comenta que foram investidos mais de

US$ 47 bilhões em bens de capital nos últimos três anos, “incluindo a expansão da infraestrutura global”. “Esperamos que mais empresas de agronomia possam fazer uso de tecnologias de nuvem”, completa. 

Segunda leva. O setor pecuário aguarda os resultados da viagem do presidente Jair Bolsonaro à Ásia. Ele visita a China nos dias 24 e 25 e a expectativa é de que novos frigoríficos brasileiros sejam habilitados a exportar para lá. Essas plantas não estavam na primeira lista de aprovação, anunciada em setembro. A expectativa, entretanto, é cautelosa, porque os chineses já demoraram mais do que o esperado para habilitar a leva inicial. 

"Cestou”. A BRF espera aumentar em 5% as vendas do kit de Natal da Sadia e da Perdigão neste ano. Em 2018, foram vendidos 3 milhões de cestas. “A expectativa é de melhora da economia”, conta à coluna Marcos Pola, gerente executivo de Kits e Novos Negócios da BRF. A empresa trabalha com novos cortes mais baratos de suínos e com melhoras no canal online de vendas. “Esperamos que o e-commerce dobre este ano, com vendas de 80 mil a 100 mil cestas.” / COLABORARAM AUGUSTO DECKER, ISADORA DUARTE e LETICIA PAKULSKI

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